De Pelágio I (555) a Pelágio II (590)

É um período de luta contra o arianismo que dominava quase toda a Europa

 

 

Pelágio I foi imposto aos romanos como bispo pelo imperador Justiniano. Sabemos que os imperadores gregos conservavam o direito de confirmar as eleições dos prelados da Itália e às vezes de impô-las: isto até o século 8.

 

Outro costume que vigorava até este século era que todos os bispos recém-consagrados mandavam por escrito suas profissões de fé e suas cartas sinodais aos demais bispos de cidades importantes. O mesmo Gregório I, uma vez eleito bispo de Roma, mandou suas cartas aos prelados mais conhecidos do Oriente e do  Ocidente.

 

Este fato não pode ser visto sob o ângulo do poder eclesiástico, para que não aconteça o que fez pensar a muitos escritores católicos que quando o bispo de Roma recebia cartas de outros bispos era reconhecido como “chefe” das Igrejas: o que seria uma falsidade histórica.

 

Pelágio 1 teve que enfrentar a invasão de Tótila, rei dos

Ostrogodos - um povo da antiga Germânia, vindo da Escandinávia, que no III século d.C. já encontrava-se nas margens da Vistula, o principal rio da Polônia.

 

Foram convertidos ao arianismo pelo bispo ariano Úlfila (falecido em 383); no século V haviam entrado no império romano e agora estavam em Roma.

 

Parêntese: guarde o leitor esta história do arianismo, que começou oficialmente com Ario mas era uma velha doutrina que fazia da segunda pessoa da Santíssima Trindade uma criatura inferior ao Deus-Pai, considerado o único Deus. Por esta época, nove décimos da Europa eram arianos. Converteram-se ao catolicismo pela espada dos reis a serviço do bispo de Roma.

 

O Concílio de Nicéia condenou o arianismo mais por medo do imperador Constantino que por compreensão dos termos teológicos. Ainda nos séculos XVIII e XIX, encontramos arianos na Europa e nas Américas, o que mostra a fragilidade de certos dogmas impostos por um pequeno grupo dominador.

 

Voltando a Pelágio I, sabemos que quando Tótila entrou na igreja de São Pedro, ele, Pelágio I, se prostrou aos pés do soberano exclamando: "Senhor Tótila, poupai os vossos!" Assim, Tótila proibiu as matanças e os estupros, permitindo só o saque, que durou 40 dias.

 

Com efeito, ao saber que Belisário vinha em socorro de Roma, Tótila fugiu.

 

Pelágio I se meteu em tantas intrigas políticas que foi condenado ao exílio pelo imperador e só obteve o perdão depois de prometer submeter-se ao concilio e aceitar as ordens do imperador.

 

Uma vez perdoado, quis vingar-se de todos aqueles que lhe pareciam heréticos e queria obrigar Narséz, capitão das guardas imperiais, a matar todos os seus inimigos. Mas Narséz era muito tolerante, usando brandura em lugar de armas, ao ponto que o povo dizia: "O guerreiro procede como pastor e o pastor como guerreiro!".

 

Mais ou menos nesta época houve o III Concilio de Paris, que promulgou a lei que obrigava os bispos a serem os protetores dos bens eclesiásticos em lugar dos reis ou dos príncipes. Outra lei foi a seguinte: ficava proibido desposar uma jovem ou uma viúva, contra a vontade dela, mesmo quando houvesse autorização do soberano.

 

Do mesmo modo foram proibidos os casamentos entre parentes ou com pessoas consagradas a Deus. E finalmente exigia-se que fosse respeitado o antigo costume que queria a aprovação

da comunidade para que alguém fosse consagrado bispo.

 

Pelágio I morreu em 559 sem nada fazer para impedir a divisão das igrejas orientais da Igreja de Roma, Parece até que, na ótica dele, esta divisão fortaleceria o poder da Igreja de Roma.

 

Sucedeu-lhe João III (561-574), que reinou 13 anos sem nenhuma importância. Até o historiador padre Francisco Pagi não lhe dedica mais de 10 linhas, por causa do Concilio de Braga.

 

Com a sua morte a Sé de Roma ficou vaga por 10 meses. Parece, segundo o historiador Fleury, que a causa disto foi a invasão dos Longobardos na Itália.

 

Finalmente foi eleito Benedito, natural de Roma, que conseguiu do imperador Justino II que navios carregados de trigo salvassem os romanos da morte de fome. Nada mais se sabe de Benedito I, que morreu em 579.

 

Sucedeu-lhe Pelágio II (579-590), que tão logo foi eleito apelou para os bizantinos, já que Roma estava sitiada pelos Longobardos. Mas o imperador Tibério, estando em guerra contra os persas, não pôde atendê-lo. Então Pelágio II pediu ao rei dos francos que socorresse Roma, mas suas cartas foram perdidas.

 

Felizmente o imperador Maurício, que sucedeu a Tibério, pagou 50míl soldos de ouro ao rei dos francos, Childeberto II, para expulsar de Roma os Longobardos. Mas esses lhe pagaram 100 mil soldos de ouro para deixá-los em paz.

 

Nesta época eram muitos os bispos europeus que não reconheciam Roma como sede patriarcal devido ao fato de ser ela uma sede desonrada pelos seus bispos.

 

O metropolita de Aquiléia chegou ao ponto de acusar o papa de ter traído a fé cristã e de não obedecer os concílios. Quando Pelágio II viu que de nada adiantava excomungá-los, pediu a Smaragdo, governador da Itália, que perseguisse pelo menos o clero da Ístria.

 

A sorte foi que o imperador mandou ordens de Constantinopla de suspender todas as perseguições até a convocação de um concilio onde fosse provado quem era herege.

 

Nesse meio tempo o rei dos visigodos, Ricaredo, adotou publicamente a religião católica romana e exigiu que todos os nobres de seu povo e todo o povo a adotassem, renunciando ao arianismo.

 

Para tanto, ordenou aos eclesiásticos que se fizesse um concilio em Toledo onde deveriam aparecer todos os bispos e todos os senhores de seu reino para que condenassem a heresia ariana. Sabemos que se apresentaram 74 bispos e seis embaixadores de prelados doentes.

 

O rei e sua mulher, a rainha Baddo, abriram as sessões lendo as decisões dos últimos quatro grandes concílios reconhecidos por todas as igrejas do Oriente e do Ocidente. Em seguida foi publicamente condenada a heresia ariana.

 

Por último, os bispos e o rei pediram que padres e bispos não convivessem publicamente com suas legítimas mulheres mas "guardassem um certo mistério" (sic! Veja meus artigos sobre o celibato católico) em suas relações sexuais e nunca dormissem nos quartos das esposas.

 

Foi-lhes também proibido que abandonassem os filhos que por acaso nascessem destas uniões. Mas, sobretudo, foi severamente proibido que eclesiásticos denunciassem ou perseguissem outros eclesiásticos perante tribunais seculares. O único juiz dos eclesiásticos devia ser o bispo.

Recaredo foi, então, reconhecido como rei católico e logo logo, Pelágio II morreu.

 

Escritores católicos dizen que antes de morrer protestou contra o título de "ecumênico' (universal) assumido pelo patriarca de Constantinopla por que acreditava que só o bispo de Roma era "universal" por ser Roma o centro universal por tradição histórica.

Sucedeu-lhe Gregório Magno.

 

Nota do Autor: Atenção, leitor! Esta não é a História da Igreja e muito menos a História do Cristianismo, mas tão-somente a História dos homens que ocuparam c cargo de bispos na cidade de Roma portanto, saiba distinguir e diferenciar as coisas.

 

Continua na próxima postagem desta seção...

 

 

Autor: Carlo Bússola, professor de Filosofia na UFES

 

 

Fonte: Publicado originalmente no jornal “A Tribuna” – Vitória-ES, numa série sob o título “Os Bispos de Roma e a Ideologia do Poder”.

 

 

Comentários do IASD Em Foco

 

 

Na Wikipédia, encontramos a seguinte informação: “O Papa Pelágio I foi o 60º papa. Foi eleito em 16 de Abril de 556 e morreu em 4 de Março de 561. Nascido em Roma, cerca do ano 500, era filho do governador de um distrito de Roma. Oposto ao origenismo, foi designado papa por imposição do imperador Justiniano I (nessa época, a Itália era uma província do Império Bizantino) após aceitar a condenação dos Três Capítulos, que havia defendido nos tempos do Papa Vigílio”.

 

 

Ao discorrer sobre a ideologia do poder do Bispo de Roma, o Prof. Carlo Bússola apropriadamente afirma no artigo 18 desta série, intitulado “Anastácio II (496-498) e os Merovíngios”:

(Parêntese: por que a luta contra o arianismo? Porque era de fundamental importância dizer que o cristianismo foi fundado

por Deus e não por um homem divino! Sendo fundado por Deus, o bispo de Roma se tornava vice-Deus...).

 

É um tiro na mosca; pois, no livro do Papa João Paulo II, “Cruzando o Limiar da Esperança”, como acontece em muitas outras publicações católicas, nós encontramos a seguinte descrição do Bispo Romano:

 

“Portanto, desde o início do diálogo seria necessário dar o devido destaque ao enigma ‘escandaloso’ que o Papa, como tal, representa; não, em primeiro lugar, um Grande entre os Grandes da Terra, mas o único homem no qual os outros vêem um vínculo direto com Deus, percebem o próprio ‘vice’ de Jesus Cristo, a Segunda Pessoa da SS. Trindade”.Cruzando o Limiar da Esperança, 1994, pág. 15.

 

Junto com a erudição do Dr. Carlo Bússola, enfatizamos a sua total isenção e honestidade intelectual [tão carente, diga-se de passagem, entre historiadores, teólogos, proclamados apologetas, pastores e outros líderes religiosos da atualidade].

 

Quanto a isso, veja-se a nota de advertência que com freqüência aparece na maioria dos artigos da série. No entanto, ressalte-se que os fatos falam por si mesmo sobre a origem insidiosa deste sistema da falsa religião, como predita pelo profeta Daniel, apóstolo Paulo, João e outros (Daniel 7:8-10; Atos 20: 28-30; II Tessalonicenses 2:3-4 e 7-12; Apocalipse 13:1-10).

 

O Apocalipse Apresenta a Localização Geográfica da Sede Deste Poder: “Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia” (Apocalipse 13:1).

 

Mar = Povos, Nações, Lugar Densamente Povoado: “O anjo continuou a me explicar: ‘Você viu aquela prostituta que está sentada perto de muitas águas. Essas águas são povos, multidões, nações e línguas diversas” (Apocalipse 17:15, texto da Bíblia Católica “Bíblia Sagrada, Edição Pastoral).

 

Sete Cabeças = Sete Montes ou Sete Colinas: “Aqui está o sentido, que tem sabedoria: As sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada” (Apocalipse 17:9).

 

Freqüentemente, escritores clássicos tais como Horácio, Virgílio, Gregório, Marcial, Cícero tem identificado Roma como a cidade das sete colinas. Os comentários católicos das Bíblias do Pontifício Instituto Bíblico de Roma e da Bíblia de Jerusalém sobre Apocalipse 13:1-2 e 17:1-3 informam que os sete montes identificam a cidade de Roma.

 

A Bíblia Católica “Bíblia Sagrada, Edição Pastoral” é taxativa em seu comentário do texto de Apocalipse 17:9-11: “As sete cabeças são as sete colinas de Roma”. Nota: Os próprios teólogos católicos reconhecem esta verdade insofismável e inapelável!!!

 

“Todos sabem que Roma é a cidade das sete colinas, chamadas Quirinal, Viminal, Esquilino, Célio, Aventino, Palatino e Capitolino. Seria muita coincidência se o texto não se referisse especificamente ao catolicismo romano”. – Alcides Conejeiro Peres, O Catolicismo Romano Através dos Tempos, pág. 90.

 

A Bíblia Católica “Bíblia Sagrada, Edição Pastoral” apresenta o seguinte comentário para o texto de Apocalipse 17:1-6: Explicação do Mistério do Mal: “A prostituta é símbolo de uma cidade idolátrica. Na época, trata-se de Roma, aqui apresentada como Babilônia, a capital da idolatria e do vício. Ela está assentada sobre a Besta escarlate, a cor do triunfo para os romanos. … Seu crime supremo é perseguir e matar todos aqueles que não aceitam adorar o poder político absoluto, nem se enganam com as propagandas ideológicas”.

 

Amigos, dada a sua importância crucial, os assuntos aqui abordados dizem respeito a todos os cristãos – católicos, evangélicos, ortodoxos, renovados, protestantes, etc. – independente da coloração ideológica ou denominacional; pois, a Bíblia afirma taxativamente que este sistema da falsa religião, erigido em cima da “ideologia do poder”, contaminou praticamente todas as religiões cristãs:

 

“Seguiu-se outro anjo, o segundo, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição (Apocalipse 14:6).  “... pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição...” (Apocalipse 18:3, p.p.).

 

Fazendo, em tempo, uma correção no “endereço” desta solene mensagem de advertência, nós verificamos que ela se destina a todos os habitantes da Terra; afinal, agora nos derradeiros momentos da História o complexo babilônico da falsa religião abarcará toda a Terra e, portanto, todo habitante deste planeta terá que tomar a sua decisão de um lado ou do outro, a favor da Verdade (Apocalipse 14:12) ou do lado do erro (Apocalipse 14:9-11).

 

Repetimos: o domínio da falsa religião será planetário!!! É a globalização do erro: “Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação; e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a Terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:7-8).

 

Em tempo, “vinho” em linguagem profética significa “doutrina” e, por conseguinte, a Bíblia afirma que, embora repudiem a idolatria e outras práticas abomináveis de Babilônia, suas “filhas”, praticamente todas as religiões ditas cristãs, beberam – assimilaram em seu corpo doutrinário – as principais doutrinas do “cardápio” de Babilônia.

 

A ordem solene de Deus para todos os sinceros e fiéis espalhados por todos os credos, denominações e, inclusive, ligados diretamente à Babilônia mística é esta: “Ouvi outra voz do Céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos” (Apocalipse 18:4).

 

Amigos, é hora de cortar definitivamente os laços com a Babilônia mística, profética!!! É hora de cortar os laços e cadeias que nos prendem ao erro (vinho de Babilônia) e abraçar totalmente a verdade!!! Para tanto, é bom lembrar sempre:

 

- O importante não é o que o presbítero diz!

- O importante não é o que o missionário diz!

- O importante não é o que o evangelista diz!

- O importante não é o que o bispo diz!

- O importante não é o que o obreiro diz!

- O importante não é o que o “apóstolo” diz!

- O importante não é o que o padre diz!

- O importante não é o que o pastor diz!

- O importante não é o que o teólogo diz!

 

O importante é o que Deus diz!!! O importante, e nisto está a nossa segurança eterna, é o que a Palavra de Deus diz!!! E ela nos ordena:

 

“Retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos” (Apocalipse 18:4).

 

Ela nos indica para onde devemos ir e que caminho devemos seguir, em meio aos enganos finais dos últimos dias:

 

“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os Mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12).

 

       

Para Quem Quiser Saber Mais Sobre o Assunto:

 

 

http://www.iasdemfoco.net/mat/querosaber/abrejanela.asp?Id=145

http://www.iasdemfoco.net/mat/querosaber/abrejanela.asp?Id=138

http://www.iasdemfoco.net/mat/emdefesa/abrejanela.asp?Id=67

http://www.iasdemfoco.net/mat/querosaber/abrejanela.asp?Id=137

http://www.iasdemfoco.net/mat/querosaber/abrejanela.asp?Id=135

http://www.iasdemfoco.net/mat/emdefesa/abrejanela.asp?Id=60

http://www.iasdemfoco.net/mat/querosaber/abrejanela.asp?Id=136

http://www.iasdemfoco.net/mat/querosaber/abrejanela.asp?Id=89

http://www.iasdemfoco.net/mat/querosaber/abrejanela.asp?Id=87

http://www.iasdemfoco.net/mat/emdefesa/abrejanela.asp?Id=74