Tema Livre
Velho Inimigo de Roupa Nova

 Publicado em:  25/9/2008 

 

Velho Inimigo de Roupa Nova

 

 

Com sutileza, o ocutismo invade lares cristãos através de filmes e literatura

 

 

 

Milhares de anos se passaram desde os remotos dias bíblicos. A estratégia pode ter sido atualizada, mas o inimigo é o mesmo: o ocultismo visita os lares até de gente que optou pela religião cristã.

 

Segundo o Dicionário Aurélio, ocultismo é o “estudo e prática de artes divinatórias e de fenômenos que parecem não poder ser explicados pelas leis naturais”. Em conexão com o ocultismo, encontramos na Bíblia a adivinhação, bruxaria, feitiçaria, magia e necromancia (consulta aos mortos). Egípcios e babilônios foram os dois povos da Antigüidade mais desenvolvidos nessas áreas. Quando os recursos humanos comuns não eram suficientes para solucionar seus problemas, esses povos recorriam às práticas mencionadas acima (Ez 21:21).

 

Por ocasião da saída do Egito, Moisés enfrentou os encantadores de Faraó. Até certo ponto, eles produziram milagres semelhantes às pragas enviadas por Deus (Êx 7:11, 22; 8:7). Mas, finalmente, foram vencidos (Êx 9:9-11). Outros povos, como os cananitas, também incorporaram as ciências ocultas ao dia-a-dia.

 

Antes de tomar posse da Terra Prometida, os israelitas receberam ordens expressas para que se mantivessem longe desse tipo de coisa (Dt 18:9-14). As instruções divinas alertavam que, ao procurar os serviços dos adivinhos, necromantes ou feiticeiros, a pessoa se contaminava (Lv 19:31), tornando- se uma espécie de adúltero espiritual, traidor do Criador (Lv 20:6). A punição para quem praticasse tais coisas era a morte (Êx 22:18; Lv 20:27).

 

Apesar das claras instruções nesse sentido, não apenas pessoas comuns, mas até pessoas da corte israelita, se envolveram com muitas dessas atividades proibidas. Entre elas, Saul que tendo sido rejeitado pelo Senhor, perdeu o trono e finalmente morreu porque desobedeceu a palavra de Deus e consultou uma mulher que supostamente conversava com os mortos (lSm 15:23; 1Cr 10:13).

 

Outros exemplos são Jezabel e Manassés. Ela tirava a paz de Israel com sua feitiçaria (2Rs 9:22); e Manassés fez tudo o que não devia e mais um pouco. Chegou ao ponto de oferecer o próprio filho em sacrifício a divindades pagãs (2Rs 21 :6).

 

Costumeiramente, Deus Se auto-proclamava o único capaz de atender às necessidades humanas (Is 8:19). Em contraste, acentuava a ineficiência do ocultismo para proteger aqueles que nele confiavam (Is 47:9-1 3), chamando a atenção para a angústia, desorientação e vazio que experimentavam as pessoas que se apegavam às adivinhações e idolatria (Zc 10:2).

 

O Novo Testamento também menciona o exercício das artes mágicas. Em Samaria, havia um homem chamado Simão que praticava a magia. Mas, ao entrar em contato com a mensagem apostólica através de Filipe, se converteu (At 8:9-13). Outro foi Elimas, “o mágico” que, ao ser repreendido por Paulo, ficou cego. Segundo a Bíblia, nessa ocasião, “a doutrina do Senhor” foi exaltada (At 13:6-12).

 

Noutro momento, Paulo expulsou o “espírito adivinhador” de uma jovem, que resultou na sua incapacidade de continuar fazendo predições. Na seqüência, houve uma revolta bastante grande por parte dos homens daquela cidade. Até então, eles obtinham vantagens financeiras à custa do fenômeno (At 16:16-24). Em Gálatas 5:19, 20, a feitiçaria é classificada como parte das “obras da carne” em oposição ao fruto do Espírito.

 

E assim, como nas páginas do Antigo Testamento, o ensino neotestamentário coloca as diversas facetas do ocultismo em pé de igualdade com os principais pecados condenados por Deus: rebeldia contra a Palavra de Deus e idolatria (I Sm 15:23); adultério, perjúrio, desonestidade, opressão e indiferença aos reclamos de Deus (Ml 3:5); incredulidade, assassinato, impureza e mentira, com o agravante que os participantes de tais transgressões serão finalmente punidos com a morte eterna (Ap 21:8).

 

Você pode se perguntar o que essas coisas antigas têm que ver conosco, pessoas do século 21. Pois bem, comecemos com uma das investidas missionárias de Paulo na cidade de Éfeso (At 19). Naquela ocasião, o apóstolo viveu várias experiências sobrenaturais como curas e expulsão de demônios (v. 11, 12). Depois de uma tentativa frustrada de exorcismo por parte dos filhos de Ceva, um dos chefes dos sacerdotes (v. 13-16), o resultado foi o despertamento de judeus e gregos que viram a verdade somente no evangelho de Paulo. Além da confissão de suas más obras, muitos dos que haviam praticado o ocultismo queimaram seus livros publicamente (v. 17-19).

 

Em referência a esse episódio, encontramos Ellen White fazendo uma repreensão a algumas pessoas de sua época: “Não estou acusando ninguém do mal que prendia os efésios, nem afirmando que você tem praticado magia e se dedicado às artes de feitiçaria da mesma maneira que eles. Não dizendo que você tem seguido os mistérios da necromancia, ou mantido comunicação com espíritos maus. Mas não estaria você em comunhão com o autor de todo mal, com o idealizador de todos esses mistérios e artes diabólicas? Não estaria ouvindo as sugestões daquele que é o deus deste mundo, o príncipe das potestades do ar? [...] e o que dizer dos livros de magia? O que você tem lido ultimamente? Como tem empregado seu tempo? Tem procurado estudar as Sagradas Escrituras para que possa ouvir a voz de Deus falando através de Sua Palavra? O mundo está cheio de livros que espalham as sementes da incredulidade, infidelidade e ateísmo. Em maior ou menor grau, você pode estar aprendendo as lições desses livros de magia. Eles afastam Deus da mente e separam a pessoa do verdadeiro Pastor.” (Mensagens aos Jovens, p. 275, 276).

 

Os destinatários dessa mensagem não praticavam o ocultismo propriamente dito. Mas, na opinião da Sra. White, enquanto mantivessem contato com seus livros de magia, estariam comungando com Satanás ao mesmo tempo em que se separavam de Deus. Transportando essa experiência para a nossa realidade, encontramos desenhos animados, filmes e quadrinhos que claramente promovem o espiritismo, a magia e a doutrina da imortalidade da alma. Isso sem mencionar que algumas dessas histórias são bem semelhantes ao tema do “Grande Conflito” ensinado pela Bíblia, mas com outros personagens. É possível que as crianças sejam afetadas por esse tipo de entretenimento? Os adultos estão seguros quando se colocam diante de uma tela em que o ocultismo é celebrado? Creio que as respostas são sim e não, respectivamente.

 

Não é uma atitude responsável subestimar o diabo. Se você pensar bem, o ocultismo é coisa antiga, mas os métodos em que ele se apresenta nos dias de hoje são bastante modernos, bem elaborados e com direito a efeitos especiais. O que pode estar acontecendo na mente de quem contempla isso, só Deus sabe. E Seu inimigo também.

 

 

 

Autor: Denis K. Fehlauer, Professor de Teologia no Unasp, Artur Nogueira, SP.

 

Fonte: Revista do Ancião, abril/junho de 2008.

 

 

 

Comentários do Editor IASD Em Foco:

 

 

 

Tudo o que eu queria escrever sobre esta questão do ocultismo, advertindo a Igreja e desmascarando os estratagemas do inimigo nos tempos atuais, permita-me o leitor afirmar, coloquei no livro “Uma Nova Ordem Mundial”. Cansei de fazer palestras sobre o assunto Brasil afora. Faz muito tempo não aceito convites para tal; e vejo que, em muitos lugares e situações, os irmãos, membros de Igreja, estão, como se diz na gíria, “futucando o diabo com vara curta” – ao assistirem a filmes de terror, junto com os filhos, e permitirem que estes leiam livros do Harry Potter e/ou brinquem com videogames de outros personagens diabólicos.

 

Acho risível quando vejo teologandos e outros irmãos afoitos saírem pelas igrejas fazendo palestras e vendendo algumas fitas de qualidade e conteúdo duvidosos sobre símbolos da Nova Era e algumas outras manifestações modernas do ocultismo. Isso é muito pouco (quando muito, é ficar na periferia desta importante questão) em se tratando do tema; a questão é bem mais ampla e, como já tratamos aqui no site, estamos vivendo um “reavivamento satânico” – cumprindo as profecias de que “o espiritismo dominaria o mundo”.

 

Reproduzi esse artigo aqui não pelo fato de ele trazer qualquer novidade à discussão do assunto, mas, sim, pelo equilíbrio ao tratar o assunto e percepção de como os tentáculos do ocultismo – leia-se satanismo feitiçarias modernas, etc. – tem-se introduzido sorrateiramente em muitos lares auto-intitulados cristãos. Neste sentido, recomendo, também, a leitura de “Nos Bastidores da Mídia”, do jornalista, editor da CPB e amigo Michelson Borges.      

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