Quero Saber + Sobre
Lei Moral X Lei Cerimonial

 Publicado em:  17/7/2008 

Lei Moral X Lei Cerimonial

 

Objeção: Os adventistas procuram provar que há duas leis descritas na Bíblia: A lei moral e a cerimonial. Mas existe apenas uma lei.

 

O raciocínio da objeção é este: Há somente uma lei e a Bíblia fala claramente de uma lei abolida; portanto, os Dez Mandamentos foram abolidos, inclusive, necessariamente, o quarto, em que os adventistas constroem seu argumento para o sábado.

 

Tanta argumentação falsa tem sido elaborada em torno da doutrina de uma só lei que ela deve ser considerada detalhadamente.

 

A palavra “lei” é usada na Bíblia de várias maneiras. Na frase “a lei e os profetas”, a palavra “lei” significa um tanto uniformemente os livros de Moisés, porque em seus escritos as leis de Deus são especialmente apresentadas.

 

A palavra “lei” é às vezes usada sem referência a algum código específico, como um termo coletivo para descrever qualquer uma e todas as leis. Por outro lado, a palavra “lei” é freqüentemente empregada para designar um código específico (por exemplo, a lei moral ou a lei cerimonial), como procuraremos mostrar.

 

Afirmar que toda vez que a Bíblia usa a palavra “lei” significa o mesmo código seria tão razoável como afirmar que cada vez que a Bíblia usa a palavra “dia” quer dizer o mesmo período de tempo. Os fatos são que “dia” pode significar: (1) a parte clara do ciclo de vinte e quatro horas, como dia em contraste com noite; ou (2) todo o período de vinte e quatro horas, como sete dias em uma semana; ou (3) um período indefinido de tempo, como “agora é o dia da salvação”. O que pensaríamos da pessoa que raciocinasse que, porque certos textos da Bíblia falam do fim do dia, o dia da salvação necessariamente terminou?

 

A Bíblia diz que “a lei” foi “abolida” por Cristo (veja Efésios 2:15). Mas Paulo, que escreveu esta afirmação, também declara: “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Rom. 3:31).

 

O contraste entre as declarações é acentuado quando se chama a atenção para o fato de que Paulo usou a mesma raiz grega para as palavras aqui traduzidas por “aboliu” e “anulamos”. Esta raiz, ‘katargeo’, significa “tornar inoperante”, “fazer cessar”, “suprimir”, “anular”, “abolir”.

 

Mas disse Paulo, o escritor inspirado, a uma igreja que “a lei” está abolida”, e então a outra igreja exclama “De maneira nenhuma!”, ante à própria idéia de que “a lei” está abolida, e se refere à mesma lei em cada exemplo? Obviamente, Paulo deve estar falando de duas leis diferentes. Estes dois textos são suficientes em si mesmos para expor a falácia do argumento de que a Bíblia fala de apenas uma lei.

 

O primeiro registro formal de qualquer código de leis divinas para o homem foi no tempo do Êxodo. Foi então que Deus, o qual havia escolhido um povo para o Seu nome, o colocou a caminho da Terra Prometida. Não havia Escrituras nos primeiros séculos, pois nenhum dos sessenta e seis livros da Bíblia tinha sido escrito.

 

Através de Moisés, Deus começou a dar aos homens uma revelação escrita, a fim de guiá-los. Desse tempo em diante, com uma notável exceção, as palavras de Deus para o homem, inclusive Suas leis, foram escritas por agentes humanos, os profetas. Essa única exceção foi um código de leis que Deus falou com Sua própria voz. A história sagrada não registra nenhum outro sermão jamais pregado ao ser humano em meio da glória sobrenatural e chamejante que circunda o eterno Deus.

 

Referindo-se a esse único exemplo majestoso, Moisés disse a Israel: “Agora, pois, pergunta aos tempos passados, que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra, desde uma extremidade do céu até à outra, se sucedeu jamais coisa tamanha como esta ou se se ouviu coisa como esta; ou se algum povo ouviu falar a voz de algum deus do meio do fogo, como tu a ouviste, ficando vivo” (Deut. 4:32 e 33).

 

E quando Deus havia pronunciado o código, os “dez mandamentos”, o relato declara: “E nada acrescentou” (veja Deuteronômio 4:13; 5:22). O sermão havia terminado, era um conjunto completo, não havia mais nada que Deus desejasse acrescentar.

 

Em seguida, Ele escreveu o sermão com Sua própria mão em “duas tábuas de pedra” (Deut. 5:22). Em nenhum outro documento na história humana tem a mão de Deus escrito. “As tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas tábuas” (Êxo. 32:16). E o que Deus escreveu naquelas tábuas de pedra foi descrito por Ele como “a lei” (veja Êxodo 24:12).

 

Então segue-se outro momento dramático, após a entrega e a escrita dessa “lei”. Moisés iniciou sua descida do monte com as duas tábuas nas mãos. Estava levando para Israel o registro permanente daquele impressionante sermão proferido pelo Deus do Céu. Sua indignação à vista dos israelitas adorando o bezerro de ouro o levou a arremessar as pedras ao chão e quebrá-las, um símbolo de sua transgressão do código divino.

 

Ordenou então o Senhor a Moisés que escrevesse uma cópia a fim de tomar o lugar das tábuas quebradas? Não. O Senhor escreveu os Dez Mandamentos uma segunda vez em novas tábuas de pedra. Realmente, um código muito distinto para que o próprio Deus o escrevesse duas vezes em pedra. Ele confiou aos Seus profetas muitas mensagens vitais para o homem, mas os Dez Mandamentos Ele mesmo escreveu.

 

O ponto focal, o objeto mais sagrado do serviço religioso instituído por Deus para os israelitas, foi a arca da aliança, acima da qual pairava a santa luz da presença divina. Quando, nas jornadas dos israelitas, a arca era posta em movimento, ninguém devia tocá-la para que não morresse. E, dentro daquele mais sagrado dos objetos sagrados do santuário, foi Moisés instruído a colocar as tábuas de pedra (Deut. 10:5). Nenhum outro código de leis foi colocado dentro daquela arca sagrada. “Nada havia na arca senão as duas tábuas de pedra, que Moisés ali pusera junto a Horebe” (I Reis 8:9).

 

Novamente, esse código de leis foi distinguido como a base de uma aliança entre Deus e os israelitas. Aqueles que se opõem à doutrina bíblica da perpetuidade da lei moral, conforme crêem os adventistas, têm procurado apoiar sua opinião com este fato (veja a objeção 5).

 

Eles se esquecem, porém, de que o próprio fato de a lei dos Dez Mandamentos ser descrita como a base única de uma aliança prova mais uma vez que o Decálogo é um código distinto, não devendo ser confundido com nenhum outro. Moisés disse a Israel: “Então vos anunciou Ele a Sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra” (Deut. 4:13).

 

Façamos um resumo destes fatos históricos concernentes à entrega da lei dos Dez Mandamentos:

 

1. Deus proferiu a lei com Sua própria voz aos ouvidos de todo o Israel. Ele não deu nenhuma outra lei deste modo. “E nada acrescentou.”

 

2. Deus escreveu a lei dos Dez Mandamentos com o Seu próprio dedo. Essa é a única lei que Ele já escreveu para o ser humano.

 

3. Deus escreveu a lei em tábuas [de pedra], e Ele mesmo preparou as tábuas. Trata-se da única lei no relato bíblico que foi assim escrita.

 

4. Deus mandou Moisés descer do monte à vista de todo o Israel, levando as duas tábuas de pedra que continham somente os Dez Mandamentos.

 

5. O próprio Deus reescreveu a lei depois de ter Moisés quebrado as primeiras tábuas.

 

6. Deus instruiu Moisés a colocar as tábuas dentro da arca da aliança, sendo a única lei honrada desse modo.

 

7. Deus declarou que a lei dos Dez Mandamentos era “sua aliança”, sendo a única lei assim descrita.

 

Contudo, os objetores professam ser incapazes de encontrar na Bíblia quaisquer fundamentos para crer que a lei dos Dez Mandamentos seja um código distinto de leis, que não deve ser confundido com nenhum outro código. Gostaríamos de perguntar: se eles pudessem ter ditado a maneira da entrega dessa lei, e tivessem desejado dar prova convincente de que ela era uma lei separada, que procedimento poderiam possivelmente ter seguido que a teria destacado mais plena ou mais dramaticamente?

 

 

 

A outra lei apresentada no Sinai

 

 

 

Mas a lei dos Dez Mandamentos não foi a única apresentada formalmente por Deus no Sinai. Havia um código de leis cerimoniais que provia as regras para o ritual religioso que os judeus deviam seguir; por exemplo, seus sacrifícios e ofertas, seus dias de festa anuais, os deveres do sacerdócio. O livro de Levítico está repleto dessas leis. Havia também as leis civis para governar os judeus como nação, como as leis sobre casamento, divórcio, posse de escravos e propriedade (veja Êxodo 21).

 

Até onde permitiam a obscura compreensão espiritual e disposição dos israelitas, o Senhor fez com que esses estatutos civis refletissem o perfeito ideal expresso na lei dos Dez Mandamentos. O estatuto sobre a posse de escravos é uma ilustração da adaptação do princípio moral à baixa condição espiritual de um povo. Do estatuto do divórcio, Cristo declarou: “Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.” Mat. 19:8 (veja Marcos 10:4-6).

 

Mas estas leis cerimoniais e civis não foram dadas diretamente por Deus às hostes de Israel. Quanto à maneira como Deus tornou conhecidas essas leis, quem as escreveu e onde foram depositadas, as Escrituras são claras:

 

1. Depois de declarar que o Senhor escreveu os Dez Mandamentos “em duas tábuas de pedra”, Moisés acrescenta imediatamente: “Também o Senhor me ordenou, ao mesmo tempo, que vos ensinasse estatutos e juízos” (Deut. 4:13 e 14).

 

Um autor bíblico posterior apresenta a mesma distinção: “E não farei que os pés de Israel andem errantes da terra que dei a seus pais, contanto que tenham cuidado de fazer segundo tudo o que lhes tenho mandado e conforme toda a lei que Moisés, meu servo, lhes ordenou” (II Reis 21:8).

 

Recordando os eventos do Sinai, Neemias, em oração ao Senhor, também menciona o fato de que certas leis foram pronunciadas por Deus e outras foram dadas a Israel por intermédio de Moisés: “Desceste sobre o monte Sinai, do céu falaste com eles e lhes deste juízos retos, leis verdadeiras, estatutos e mandamentos bons. O teu santo sábado lhes fizeste conhecer; preceitos, estatutos e lei, por intermédio de Moisés, teu servo, lhes mandaste” (Nee. 9:13 e 14).

 

2. “Esta lei, escreveu-a Moisés” (Deut. 31:9).

 

3. “Tendo Moisés acabado de escrever, integralmente, as palavras desta lei num livro, deu ordem aos levitas que levavam a arca da Aliança do Senhor, dizendo: Tomai este livro da lei e ponde-o ao lado da arca da Aliança do Senhor, vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti” (Deut. 31:24-26). Os comentaristas concordam com esta tradução do hebraico: “ponde-o ao lado da arca”.

 

Pelo fato de que a lei cerimonial e também os estatutos civis foram escritos por Moisés e por ele dados ao povo, eles são geralmente descritos na Bíblia como “a lei de Moisés”. Veja, por exemplo:

 

1. II Crôn. 23:18: Os sacerdotes deveriam oferecer os holocaustos “como está escrito na lei de Moisés”.

 

2. II Crôn. 30:16: Os sacerdotes celebram a Páscoa “segundo a lei de Moisés”.

 

3. Esd. 3:2: A construção de um altar para holocaustos ocorre “como está escrito na lei de Moisés”.

 

4. Dan. 9:13: A destruição de Jerusalém tinha vindo “como está escrito na lei de Moisés.”

 

5. Mal. 4:4: “Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, a qual lhe prescrevi em Horebe [Sinai] para todo o Israel.”

 

O Novo Testamento também revela, em muitas de suas referências à lei, a mesma distinção entre a lei dos Dez Mandamentos e o código de leis dado por intermédio de Moisés. Note as seguintes referências à lei de ritos e cerimônias, às vezes descrita como a “lei de Moisés” e às vezes simplesmente como “a lei”:

 

1. “E, se o homem pode ser circundado em dia de sábado, para que a lei de Moisés não seja violada” (João 7:23).

 

2. “Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés” (Atos 15:5). Mais adiante no capítulo, quando a alegação desses fariseus é reafirmada, abrevia-se a mesma deste modo: “Deveis ser circuncidados, e guardar a lei.” Verso 24. [Esta última frase, encontrada na Versão King James, não existe na Versão Almeida.]

 

Isso ilustra como um escritor do Novo Testamento pode usar a expressão não qualificada, “a lei”, e ainda significar uma lei muito específica (neste caso, “a lei de Moisés”). O contexto geralmente é suficiente para esclarecer a que lei se está referindo.

 

Certamente, se a circuncisão está sob discussão no Novo Testamento (e freqüentemente é este o pomo da discórdia), é suficiente fazer referência ao código de leis que prescreve a circuncisão simplesmente como “a lei”; isto é, a lei de ritos e cerimônias dada por Moisés.

 

3. “A lei dos mandamentos na forma de ordenanças” (Efés. 2:15).

 

4. “Os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm mandamentos de recolher, de acordo com a lei, os dízimos do povo” (Heb. 7:5).

 

5. “Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei.” Verso 12.

 

6. “Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza.” Verso 28.

 

7. “Visto existirem aqueles [sacerdotes] que oferecem os dons segundo a lei” (Heb. 8:4).

 

8. “Quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue” (Heb. 9:22).

 

9. “Ora, visto que a lei tem sombra dos bens futuros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem” (Heb. 10:1).

 

 

 

Diferenças marcantes 

 

 

 

A lei dos Dez Mandamentos não dá nenhuma instrução sobre holocaustos, a Páscoa, a construção de um altar, os juízos que viriam sobre Jerusalém por causa da desobediência, a circuncisão e a ordem do sacerdócio. Mas a Bíblia reiteradamente revela que há uma “lei” que fornece tal instrução. Esta lei é a lei cerimonial, descrita na Bíblia como a “lei de Moisés”.

 

É verdade que “a lei de Moisés” era também a lei de Deus, porque Deus era o autor de tudo o que Moisés escreveu. Por isso, não é estranho que um escritor da Bíblia descreva, ao menos ocasionalmente, a lei de Moisés como “a lei do Senhor”, embora tais exemplos sejam poucos. Veja o caso de Lucas 2:22 e 23, onde ambas as expressões são usadas para descrever a mesma lei. Entretanto, em nenhum lugar na Bíblia a lei dos Dez Mandamentos é chamada “a lei de Moisés”.

 

Note, agora, algumas referências representativas do Novo Testamento a outra lei, que não trata de ritos e cerimônias, mas de questões morais, a lei dos Dez Mandamentos, à qual também se faz alusão, às vezes, como simplesmente os mandamentos.

 

1. “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mat. 19:17). Cristo cita então imediatamente vários dos Dez Mandamentos.

 

2. “Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado descansaram, segundo o mandamento” (Luc. 23:56).

 

3.“Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rom. 7:7).

 

4. “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. Porquanto, aquele que disse: Não adulterarás também ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei. Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade” (Tia. 2:10-12).

 

5. “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei” (I João 3:4). Qual lei? Certamente ninguém na era cristã acredita que uma falha em obedecer à lei concernente a ritos e cerimônias é pecado.

 

Contudo, João nos adverte de que transgredir a “lei” é pecado. Ele não sentiu necessidade de explicar a qual “lei” se referia. Quão eloqüentemente isso indica que havia uma lei, conhecida por todos os leitores de João, que era a regra moral da vida!

 

Que consternação e confusão teriam suas palavras criado entre os cristãos do primeiro século se eles estivessem laborando sob a impressão de que havia apenas uma lei, uma lei que era uma mistura de preceitos morais e cerimoniais! E que a transgressão dessa lei na era cristã é pecado!

 

Concluindo, apresentemos um resumo de algumas das declarações contrastantes feitas na Bíblia no que concerne aos códigos de leis moral e cerimonial:

 

 

A Lei Moral / A Lei Cerimonial

 

A Lei Moral

A Lei Cerimonial

1. Proferida pelo próprio Deus. Êxo. 20:1 e 22.

1. Proferida por Moisés. Êxo. 24:3.

 

2. Foi escrita por Deus. Êxo. 31:18; 32:16.

2. Escrita por Moisés. Êxo. 24:4; Deut. 31:9.

3. Em pedras. Êxo. 31:18.

3. Em um livro. Êxo. 24:4 e 7; Deut. 31:24.

4. Entregue por Deus, Seu escritor, a Moisés. Êxo. 31:18.

4. Entregue por Moisés, seu escritor, aos levitas. Deut. 31:25 e 26.

5. Depositada por Moisés “na arca”. Deut. 10:5.

5. Depositada pelos levitas “ao lado da arca”. Deut. 31:26.

6. Lida com preceitos morais. Êxo. 20:3-17.

6. Lida com assuntos rituais e cerimoniais (ver. partes de Êxo., Lev., Núm. e Deut.).

 

7. Revela o pecado. Rom. 7:7.

7. Prescreve ofertas para o pecado (veja o livro de Levítico).

 

8. A transgressão da “lei” é “pecado”. I João 3:4.

8. Não há pecado em sua transgressão, porque agora está “abolida”. Efés. 2:15. (“Onde não há lei, também não há transgressão” Rom. 4:15.)

9. Devemos guardar “toda a lei.” Tia. 2:10.

9. Os apóstolos não deram “nenhuma autorização” para guardar a lei. Atos 15:24.

 

10. Porque seremos julgados por esta lei. Tia. 2:12.

10. Não devemos ser julgados por ela. Col. 2:16.

 

11. O cristão que guarda está lei “será bem-aventurado no que realizar”. Tia. 1:25.

11. O cristão que guarda esta lei não é abençoado (ver. Gálatas 5:1-6).

 

12. A “lei perfeita, lei da liberdade”. Tia. 1:25 (cf. 2:12).

12. O cristão que guarda esta lei perde sua liberdade. Gál. 5:1 e 3.

 

13. Disse Paulo: “Tenho prazer na lei de Deus.” Rom. 7:22 (cf. verso 7).

13. Paulo chamou esta lei de “jugo de escravidão”. Gál. 5:1 (veja Atos 15:10).

 

14. Estabelecida pela fé em Cristo. Rom. 3:31.

 

14. Abolida por Cristo. Efés. 2:15.

 15. Cristo deveria “engrandecer a lei e fazê-la gloriosa.” Isa. 42:21.

15. Cancelado “o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças”. Col. 2:14.

 

 

 

16. “Bem sabemos que a lei é espiritual.” Rom. 7:14 (cf. verso 7).

16. “A lei de mandamento carnal.” Heb. 7:16.

 

 

 

Essas e outras comparações que poderiam ser feitas revelam, além de toda controvérsia, que a Bíblia apresenta duas leis. Chegar a outra conclusão seria afirmar que a Bíblia apresenta uma irremediável série de contradições.

 

Admitimos que existem certas referências à “lei”, principalmente nos escritos de Paulo, onde o contexto deixa de esclarecer completamente a que lei está se referindo. Em alguns casos parece evidente que nem uma nem outra lei é particularizada, mas apenas o princípio da lei, em contraste com a graça, está sob consideração. Porém, isso não fornece nenhuma prova de que existe apenas uma lei. Porque existem na Bíblia textos obscuros e difíceis, isso não significa que não podemos ter certeza do significado de textos claros e simples. Os textos facilmente compreensíveis devem guardar-nos de tirar falsas conclusões dos textos difíceis.

 

A referência às duas leis em termos de séculos antes de Moisés também nos ajudará a manter uma clara distinção entre elas. Embora possamos com exatidão focalizar o Êxodo como o grande momento da entrega da lei moral e cerimonial, não devemos concluir que o tempo antes de Moisés foi um período sem lei, pelo menos de nenhum Decálogo.

 

Examinaremos este ponto mais plenamente na objeção número 3. Aqui precisamos apenas observar que os Dez Mandamentos existiam no Éden. Também as primeiras tenras raízes da videira cerimonial, que deveria desenvolver-se plenamente no Êxodo, apareceram na forma de simples serviços sacrificais de nossos primeiros pais depois da entrada do pecado.

 

Quem não teve a experiência de contemplar uma árvore altaneira e maravilhar-se ante sua densa e variada folhagem, apenas para descobrir, com um exame mais cuidadoso, que uma planta trepadeira está entrelaçada em torno da árvore e o que parecia ser uma é realmente duas.

 

Apesar de um olhar à distância para um alto ramo, principalmente se ele está balançando na brisa, deixe de revelar este fato, um exame do tronco perto das raízes, onde a trepadeira fez seu primeiro contato com a árvore, não deixa dúvida de que há duas árvores.

 

Ora, o Decálogo poderia ser comparado a uma árvore imponente, com dez fortes ramos, que nossos primeiros pais encontraram florescendo no jardim do Éden. Depois da sua queda, uma trepadeira da lei cerimonial foi plantada por perto, regada pelo sangue de sacrifícios animais.

 

Durante séculos, a trepadeira cresceu pouco, se é que cresceu. Então, no tempo do Êxodo, ela subitamente assumiu uma forma definida e tornou-se grande. A árvore não precisou da trepadeira para viver, mas a trepadeira era inteiramente dependente da árvore. Nos séculos posteriores, a inclinação dos homens era sempre em torno de cultivar a trepadeira em vez de cultivar a árvore, até que a folhagem da trepadeira quase ocultou a árvore e ameaçou sufocá-la.

 

É, portanto, fácil compreender por que hoje alguns cristãos, olhando para a palavra bíblica que retrata essa árvore, deixem de ver que as duas não são uma. Isso é verdade principalmente se os ventos da discussão teológica estão balançando os ramos. Mas, como acontece com uma árvore literal, não precisa haver nenhuma incerteza no assunto se a atenção está focalizada não nos ramos mais altos, mas no tronco e nas raízes. Falando literalmente, um exame da origem das duas leis e sua entrega formal no Êxodo não deixa nenhuma possível dúvida de que eram duas.

 

Os adventistas nem podem alegar qualquer visão bíblica especial em discernir que há duas, não uma. Desde o tempo da Reforma protestante, as grandes entidades eclesiásticas têm percebido isso claramente e registrado o fato em seus credos e confissões de fé! A alegação de que existe apenas uma lei tem tido aceitação entre um certo segmento de cristãos em uma fervorosa tentativa de enfrentar a força da evidência do sábado que agora está sendo tão vigorosa e amplamente apresentada pelos adventistas.

 

 

- Extraído e adaptado de Francis D. Nichol, Respostas a Objeções.

IMPRIMIR PÁGINA | FECHAR PÁGINA