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Sangue: Alimentação e Transfusão

 Publicado em:  4/7/2008 

Sangue: Alimentação e Transfusão

Gostaria de saber sobre o sangue (cf. Atos 15:20, 28, 29). A Escritura, nessa passagem, ordena a abstenção da idolatria, fornicação, carne sufocada e sangue, e ainda diz — “Só isto deveis exigir”. Portanto, poderá o cristão por qualquer pretexto alimentar-se de sangue? Se puder, poderá também praticar a idolatria e fornicação, não é?

Os apóstolos determinaram em Atos 15 que os cristãos, entre outras coisas, não se alimentassem de sangue. A questão se relacionava com certas práticas do paganismo, pois é sabido que os pagãos realizavam muitas cerimônias envolvendo fornicação, animais sufocados e sangue. Era o que se dava, por exemplo, na cerimônia do “taurobolium” um touro era sangrado sobre o iniciante ao culto mitraísta [adoração ao Sol].

Foi sobretudo visando separar os crentes dessas práticas idolátricas que se emitiu instrução do Concilio de Jerusalém, em harmonia com o que é dito em Atos 15:28 e 29.

(Ver também II Coríntios 6:16-18) - O sangue, como alimento, é prejudicial à saúde pois contém elementos tóxicos e indigestos. Juntamente com a proibição de comer sangue, os israelitas não deviam alimentar-se de gordura, também bastante prejudicial ao organismo (ver Levítico 7:23-27). Eram também elementos que se empregavam nos serviços do Templo.

Os médicos usam fazer transfusões no tratamento dos enfermos. Surge, então, uma dúvida da parte de alguns quanto a se essa prática se choca com a instrução apostólica de Atos 15.

Quanto a isso, eis o que explica Naor G. Conrado, ex-redator da revista Vida e Saúde:

“Jesus enunciou um grande princípio orientador da existência humana, ao declarar em S. Lucas 12:23 que ‘a vida é mais do que o alimento’. Aplicando este princípio às transfusões de sangue, entendemos que em casos de ‘vida ou morte’, quando a pessoa se acha tão exangue e debilitada que provavelmente sucumbiria aos ataques da enfermidade, administrar-lhe sangue humano, por via intravenosa, não constitui transgressão alguma de preceitos bíblicos.

“Cremos que Gênesis 9:3 e 4, Levítico 17:10-12 e Atos 15:20-29 se aplicam às circunstâncias comuns da vida, e aplicar estas passagens às transfusões de sangue seria dar- lhes um sentido injustamente literal. Elas têm que ver com a alimentação cotidiana, normal - Existe muita diferença entre usar o sangue no regime alimentar (o que não se deve fazer de modo algum) e usá-lo como meio de salvar pessoas cuja vida corra perigo Seria o sangue humano coisa por demais sagrada para ser usado como instrumento para prolongar a vida de alguém?

“Tudo o que se possa fazer para auxiliar a Natureza em seu esforço para restaurar as energias perdidas e restabelecer a saúde harmoniza-se com o verdadeiro sentido dos princípios enunciados pelo Salvador.

“Estaria inteiramente tranqüila a consciência das pessoas que se opõem às transfusões de sangue, se, numa emergência, deixassem morrer um ente querido que doutro modo poderia viver ainda muito tempo, se recebesse semelhante tratamento?”

Há mais um ponto a considerar: existe marcada diferença entre o sangue injetado nas veias e o ingerido oralmente. Ao chegar ao estômago, as células vivas do sangue são destruídas e mortas pelos sucos digestivos. As que são colocadas nas veias de alguém, visando a preservar uma vida, continuam ativas e vivas. Não morrem. Portanto, a própria Natureza revela a diferença entre a transfusão benéfica e a ingestão de sangue por via oral.

Seria Deus tão intransigente a ponto de preferir que um lar fique desfalcado do seu chefe, ou da mãe com muitas crianças pequenas, a permitir que em caso extremo se receba sangue de outro organismo para a preservação de uma vida? Seria difícil aceitar um Deus tal como o Deus de amor descrito na Bíblia.

No entanto, mesmo que a instrução de Atos 15 previsse o problema de usar sangue humano, (o que seria incrível, pois os crentes primitivos não praticavam o canibalismo) a transfusão de sangue é lícita porque está em harmonia com outro princípio bíblico enunciado pelo próprio Cristo: “MISERICÓRDIA QUERO, E NÃO SACRIFÍCIOS” (S. Mateus 12:7).

A leitura do relato a que Cristo se referia lança luz sobre a questão em tela: I Samuel 21:1-15. A vida de Davi, futuro rei de Israel, foi preservada com alimento que legalmente não poderia ser consumido. Jesus ao citar o episódio justificou a atitude do sacerdote, que condizia com o critério por Ele estabelecido e já ventilado: “a vida é mais do que o alimento”. Com um pouco de raciocínio lógico e boa vontade pode-se perceber as aplicações dessas palavras do Salvador ao moderno problema das transfusões de sangue.


Fonte: Consultoria Doutrinária.
 

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