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A Disputa Pelo Corpo de Moisés

 Publicado em:  25/9/2008 

A Disputa Pelo Corpo de Moisés

 

 

 

A Mortalidade do Ser Humano

 

 

 

Objeção: Quando Cristo transfigurou-Se, Moisés e Elias apareceram no monte, falando com Ele (veja Mat. 17:3). O fato de que Moisés estava ali prova que o ser humano é uma alma imortal, porque Moisés morreu e foi sepultado no tempo do êxodo.

 

 

 

Há duas maneiras de ver o incidente da transfiguração:

Como uma visão ou como um evento literal. Se o entendermos como uma visão, então essa objeção é sem sentido, porque em visão um profeta pode testemunhar um quadro de pessoas e eventos sem que as pessoas ou eventos estejam naquele momento realmente diante dele.

 

Mas se entendermos o incidente como literal, o que cremos que foi, então a objeção é igualmente sem sentido, porque a narrativa da transfiguração não diz nada acerca de um espírito ou alma imortal pairando ao lado de Cristo. Em vez disso, lemos que Cristo estava presente, com “Moisés e Elias” ao Seu lado. Sabemos que Cristo era real — “o Verbo se fez carne”.

 

Sabemos que Elias foi transladado corporalmente para o Céu. Portanto, podemos corretamente presumir que ele era real. E não há nada no relato a sugerir que Moisés era menos real. Repetimos, porque esta é a essência da questão que está diante de nós, que o relato não diz que o espírito de Moisés estava ali, mas que Moisés estava.

 

Além disso, os discípulos evidentemente devem ter considerado Moisés como sendo tão real como os outros dois, porque Pedro queria construir três tendas: “uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias”. Verso 4. Tendas não são construídas para espíritos imortais.

 

Em seu conhecido comentário bíblico, Adam Clarke, um erudito metodista e crente na doutrina da imortalidade da alma, faz este claro comentário sobre Mateus 17:3:

 

Elias veio do Céu no mesmo corpo que ele tinha sobre a Terra, porque ele foi transladado, e não viu a morte (II Reis 2:11). E o corpo de Moisés era provavelmente ressuscitado, como um penhor da ressurreição; e como Cristo deve vir para julgar os vivos e os mortos, porque nem todos morreremos, mas todos seremos transformados (1 Cor. 15:51).

 

Ele provavelmente mostrou a plena representação disso na pessoa de Moisés, que morreu, e foi assim ressuscitado para a vida (ou apareceu agora como ele aparecerá quando ressuscitado dos mortos no último dia), e na pessoa de Elias, que nunca provou a morte. Ambos os seus corpos exibiam a mesma aparência, para mostrar que os corpos dos santos glorificados são o mesmo, quer a pessoa tenha sido transladada, quer tenha morrido.

 

A própria presença de Moisés no monte da transfiguração, que Clarke explica em termos de ressurreição de Moisés, pode ajudar- nos a compreender o significado real de uma passagem um tanto obscura de Judas: “Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!” Judas 9.

 

O relato da transfiguração apóia não a doutrina de almas imortais, libertas da cápsula de um corpo, mas a doutrina da ressurreição.

 

 

Fonte: Francis D. Nichol, Respostas a Objeções, págs. 270 e 271.

 

Comentário do Editor IASD Em Foco:

 

 

 

Ora, quanto à questão relatada em Judas 9, é fácil entender quando ele diz: “Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés”. Não diz a respeito da alma de Moisés, nem tampouco a respeito do espírito de Moisés...

 

A consulente até se arrisca a um exercício de – não me leve a mal, é assim que eu chamo isso – “engenharia hermenêutica” ou “malabarismo interpretativo” quando argumenta: “Miguel teria disputado o Moisés e não o corpo de moises (sic). Assim que eu penso. E mesmo sendo assim, Moises teria morrido, ai Miguel levado o corpo, ai á no Céu Deus teria juntado tudo (sic), corpo e alma de moises?Ai to confuuuuuusa”.

 

Dá para ficar confuso(a) mesmo, quando desconsideramos o simples, lógico e fácil ensino da Bíblia concernente ao ser humano como uma unidade indivisível: “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gênesis 2:7). Uma equação simples: Pó da terra (matéria) + Espírito (fôlego de vida) = Alma Vivente (ser humano na sua integralidade).

 

Fácil, também, entender o que acontece na morte – que é exatamente o processo inverso: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Eclesiastes 12:7). Só existe ser humano em sua totalidade – alma vivente – na presença e intercâmbio destes dois elementos. Desta forma, fica claro, patente, que a contenda, a disputa era não sobre um cadáver ou mesmo sobre uma entidade etérea (alma ou espírito), mas, sim, sobre a prerrogativa divina de ressuscitar a Moisés.

 

Como a senhora mesmo mencionou na mensagem, somos unânimes em reconhecer e afirmar que Deus tudo pode; ao mesmo tempo, sabemos que Satanás, como originador e instigador do pecado, assume a prerrogativa de “príncipe das trevas” e, como tal, tendo domínio sobre aqueles que sofrem a penalidade máxima do pecado, a morte (Romanos 6:23). Não há  registro de que ninguém tenha sido ressuscitado antes (voltando atrás: daí o fato de Moisés estar junto com Elias, no Monte da “Transfiguração”: Elias como representante daqueles que estarão no Céu sem passar pela morte e Moisés como representante daqueles que morrerão em Cristo, foram fiéis, e ressuscitarão para subir ao Céu com Jesus) e daí a contenda e/ou disputa acerca do fato – questão moral – se Moisés era ou não digno de ser ressuscitado.

 

“Tecnicamente”, vamos dizer assim, em termos legais, Moisés não deveria ser ressuscitado – pois o pagamento pelos pecados e pecadores, a morte de Cristo na cruz, não havia ocorrido e estava num futuro distante. Nesse caso, é como se Deus – empenhando a Sua palavra infalível – e preenchendo um cheque ou promissória, ao ressuscitar Moisés, que só viriam a ser resgatados muitos séculos mais tarde.      

 

Por isso, o Arcanjo Miguel, que é o próprio Jesus, se negou a discutir com Satanás em termos legais: “... não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!”

 

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