|
Publicado em: 23/4/2008
Capítulo 20 de Apocalipse
O Milênio e a derrota de
Satanás
O vigésimo capítulo de Apocalipse trata do fim da grande
controvérsia entre o bem e o mal. Surge aqui o assunto do milênio, tema que se
tornou um ponto de discussão no meio do cristianismo.
A teologia popular entende que o milênio ocorrerá na Terra,
antes do segundo advento de Cristo, quando enfim Satanás é preso e milhões se
converterão e serão salvos.
Aqueles, porém, que mantém a integridade da Bíblia, ensinam
o contrário, isto é, que o milênio bíblico tomará lugar imediatamente depois da
segunda vinda de Cristo, durante e depois do qual não haverá mais chance de
salvação. A explanação da profecia do milênio, dirá de que lado está a verdade.
Apocalipse 20:1 – “Então vi descer do céu um anjo que tinha
a chave do abismo e uma grande cadeia na mão”.
Apocalipse 20:2 – “Ele prendeu o dragão, a antiga serpente,
que é o diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos”.
Apocalipse 20:3 – “Lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e
selou sobre ele, para que não enganasse mais as nações, até que os mil anos se
completassem. Depois disto é necessário que seja solto, por um pouco de tempo”.
Esta cena ocorre depois da morte dos ímpios e da ceia das
aves de rapina dos versos anteriores.
Esta cadeia ou corrente não é de ferro nem de aço. Não pode
ser uma corrente literal porque um ser espiritual não pode ser preso por uma
corrente material.
É uma corrente (ou cadeia) de circunstâncias, com cada um
dos seus elos forjados por um evento sobre o qual o diabo e seus anjos não têm
qualquer poder.
De acordo com o dito popular, “suas mãos estão atadas”. Ele
não pode tentar os justos, pois estes já foram levados para o Céu. Não pode
enganar os ímpios, pois eles estão todos mortos.
A prisão de Satanás significa que ele estará privado de
suas atividades, considerando que suas obras são executadas através dos seres
humanos a quem ele usa como instrumentos.
Desta forma, durante mil anos ele estará
circunstancialmente amarrado e inteiramente privado de utilizar os seres humanos
em suas obras. O aprisionamento será para ele um duro castigo, visto que seu
único deleite é utilizar os homens na prática do mal.
Dois eventos marcam o começo e o fim dos mil anos. No
começo dos mil anos, Satanás é preso; no fim dos mil anos, ele é solto. Mil anos
será um período literal de dez séculos.
O abismo onde Satanás será lançado é a própria Terra,
transformada numa assolação completa pelas dramáticas cenas que ocorrerão na
segunda vinda de Cristo.
As sete pragas, especialmente a sétima, transformarão a
Terra num completo caos ou abismo, conforme a profecia. O profeta Jeremias dá
conta da situação nestas palavras: “Observei a Terra, e vi que estava assolada e
vazia” (Jer. 4:23). “Vi também que ... todas as suas cidades estavam derrubadas
diante do Senhor” (Jer. 4:26).
Ainda não é o final definitivo, pois a descrição de
Jeremias continua com estas palavras: “Assim diz o Senhor: Toda esta terra será
assolada; de todo, porém, não a consumirei” (Jer. 4:27).
Sem nenhuma dúvida, a Terra “assolada e vazia” será o
abismo no qual Satanás será lançado por mil anos.
O mesmo termo hebraico “abussos” é empregado no Gênesis
para dizer que a Terra “era sem forma e vazia e havia trevas sobre a face do
abismo” (Gên.1:2). A Terra voltará a ser como no princípio da criação – sem
forma, vazia e na total escuridão. Um terrível abismo.
A Justiça Divina é Confirmada
Perante o Universo
Apocalipse 20:4 – “Vi também tronos, e aos que se
assentaram sobre eles foi-lhes dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles
que foram degolados por causa do testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e
que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem
nas mãos. Reviveram, e reinaram com Cristo durante mil anos”.
Os justos estarão no Céu, reinando com Cristo. A eles “foi
dado o poder de julgar”. Por que esse julgamento é necessário, se o seu destino
já está decidido? Paulo diz: “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o
mundo? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?” (I Cor.6:2-3).
O juízo, portanto, do qual os santos tomarão parte
juntamente com Cristo, no Céu, durante o milênio, é o juízo dos ímpios e dos
anjos caídos. Este juízo será somente para regular a pena que devem receber os
ímpios e os anjos maus, segundo suas obras.
Esse julgamento não é para dar informações a Deus. Ele já
sabe mais a nosso respeito do que nós mesmos. Ocorre que uma pessoa infeliz no
Céu estragaria o paraíso, deixando todos infelizes. Todo o conflito começaria de
novo. Deus vai certificar-Se de que todos tenham confiança em Sua justiça.
Os livros serão abertos e os justos terão mil anos para
examinar esses livros. Quando terminar o julgamento, todo o Universo saberá que
nenhum pecador se perdeu sem que lhe fosse dada uma oportunidade.
Nenhuma pessoa será condenada por algo que não conhecia,
mas cada alma perdida estará perdida porque não andou pela fé, dentro da luz que
recebeu.
A razão por que os santos tomarão parte no juízo dos ímpios
e dos anjos, é que estarão presentes quando Deus sobre eles exercer o Seu juízo
executivo. Depois disso, Deus apagará de suas mentes toda lembrança que cause
sofrimento (Apoc.21:4).
Ao chegarmos no Céu, teremos três grandes surpresas:
Vamos encontrar pessoas que achávamos que não estariam lá.
De acordo com a nossa opinião, não eram boas pessoas. Se dependesse de nós,
estariam perdidas. Mas Deus sabia de algo acerca dessas pessoas que não
sabíamos.
Pessoas que tínhamos certeza de que estariam lá, mas, na
verdade, não estarão. É o tipo de gente a respeito de quem poderia ser dito: “Se
alguém for para o Céu, é esta pessoa”...
Mas Deus conhece algo acerca dessas pessoas que nós não
sabemos. Nós julgamos pela aparência exterior, Deus julga pelo coração. Ele
conhece o íntimo de cada pessoa, os motivos interiores que levam às ações.
A terceira surpresa, ao chegarmos ao Céu, é ver que nós
mesmos estamos lá e que o conflito finalmente terminou: Estamos salvos.
João vê também no Céu aqueles que muito sofreram por sua
fé. Menciona primeiro os mártires das perseguições do papado na Idade Média,
“que foram degolados pelo Testemunho de Jesus e pela Palavra de Deus”. Em
segundo lugar, o profeta vê os santos vitoriosos do derradeiro conflito – contra
a besta, sua imagem e seu sinal.
Apocalipse 20:5 – “Mas os outros mortos não reviveram, até
que os mil anos se completassem. Esta é a primeira ressurreição”.
Apocalipse 20:6 – “Bem-aventurado e santo aquele que tem
parte na primeira ressurreição. Sobre estes não tem poder a segunda morte, mas
serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos”.
O milênio começa com a ressurreição dos justos e termina
com a ressurreição dos ímpios. Os que ressuscitam no começo desse período são
levados para a vida eterna. Os que ressuscitam no fim vivem por pouco tempo,
antes de morrerem para sempre.
Que contraste com aqueles que ressurgiram na primeira
ressurreição! Os justos estavam revestidos de imortal juventude e beleza. Os
ímpios trazem os traços da doença e da morte.
Os ímpios saem da sepultura exatamente como foram para ela,
com a mesma inimizade contra Cristo, e com o mesmo espírito de rebelião.
Não terão um novo tempo de graça para arrependimento. Para
nada aproveitaria isso. Sempre serão os mesmos. O caráter deles permanecerá
imutável.
A Destruição Final dos Ímpios
Apocalipse 20:7 – “Quando se completarem os mil anos,
Satanás será solto da sua prisão”
Apocalipse 20:8 – “e sairá a enganar as nações que estão
nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar,
a fim de ajuntá-las para a batalha”.
A ressurreição dos ímpios, no final do milênio, é a chave
que “destranca as portas” do cativeiro de Satanás.
Gogue e Magogue: Estes termos simbólicos são adaptados dos
nomes dos inimigos de Israel (Ezequiel 38:2). Aqui, eles representam todos os
inimigos de Deus de todas as gerações.
Os mortos perdidos são ressuscitados com a voz de Jesus. Os
dois grupos ouvem a Sua voz com mil anos de diferença. Jesus disse: “Não vos
maravilheis disto, pois vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros
ouvirão a sua voz e sairão: Os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da
vida, e os que praticaram o mal, para a ressurreição da condenação” (João
5:28-29).
Apocalipse 20:9 – “Subiram sobre a largura da terra, e
cercaram o arraial dos santos e a cidade querida. Mas desceu fogo do céu, e os
consumiu”.
O Apocalipse focaliza duas cidades: Babilônia e a Nova
Jerusalém. A cidade querida é a esposa do Cordeiro, um símbolo da Igreja cristã.
João vê esta poderosa cidade descendo em toda a sua glória. Ela desce no local
da antiga Jerusalém (Apoc.21:2, Zac.14:5 e 6).
Sob o comando de Satanás, os ímpios surgem de todos os
pontos da Terra para atacar a cidade de Deus. O pecado lhes deixou acostumados a
pensar de maneira irracional.
A expressão “e os consumiu” não significa que irão queimar
vagarosamente, mas que num ato serão consumidos, assim como o papel que é
queimado.
Apocalipse 20:10 – “E o diabo, que os enganava, foi lançado
no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta. De dia e de
noite serão atormentados para todo o sempre”.
Quando as cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas,
elas foram punidas como o “fogo eterno” (Judas 7). As palavras “eternamente” e
“para sempre” não estão relacionados com a duração do castigo e sim, com os seus
efeitos (Mal.4:1 e Sal.37:10). O salário do pecado é a morte (Rom. 6:23) e,
jamais, o tormento eterno.
Apocalipse 20:11 – “Então vi um grande trono branco, e o
que estava assentado sobre ele. Da presença dele fugiram a terra e o céu, e não
se achou lugar para eles”.
Apocalipse 20:12 – “E vi os mortos, grandes e pequenos, que
estavam diante do trono, e abriram-se os livros. Abriu-se outro livro, que é o
da vida. Os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros,
segundo as suas obras”.
A razão por que o Livro da Vida será aberto no juízo
executivo dos ímpios, é para que todo o Universo saiba que alguns ímpios
chegaram a ter seus nomes inscritos neste livro, mas, por vontade própria e
consciente deslealdade posterior, foram riscados. “Aquele que pecar contra Mim,
a este riscarei Eu do Meu Livro”.
Apocalipse 20:13 – “O mar entregou os mortos que nele
havia, e a morte e o além deram os mortos que neles havia, e foram julgados cada
um segundo as suas obras.”
Apocalipse 20:14 – “Então a morte e o inferno foram
lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte”.
Apocalipse 20:15 – “E todo aquele que não foi achado
inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo”.
A trágica história do pecado chega ao fim. Pecado e
pecadores não mais existem. Toda a Terra estará livre da maldição do pecado e os
justos serão felizes pela eternidade, em um mundo renovado.
No próximo capítulo conheceremos as maravilhas
indescritíveis da Nova Jerusalém.
Texto da Jornalista Graciela
Érika Rodrigues, inspirado na palestra do Advogado Mauro Braga.
|