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Publicado em: 2/4/2008
Capítulo 11 de Apocalipse
Em primeiro lugar, este capítulo nos apresenta um panorama do santuário de Deus
e Seus adoradores. Em seguida, trata das perseguições contra a igreja de Cristo
pelo papado, na Idade Média, e da humilhação das Escrituras Sagradas por este
poder no mesmo período.
A revolução francesa vem, a seguir, com seus tremendos horrores e sua decidida
ação ateísta contra o santo livro de Deus, que por fim triunfa sobre seus
inimigos.
A sétima trombeta, com seus acontecimentos que porão fim ao império da maldade
na Terra, é a grande visão deste capítulo. Porém, encontramos ainda a ira das
nações modernas a despeito do anseio pela paz; o tempo do juízo e do merecido
galardão aos santos; e o tempo da destruição dos que destroem a Terra.
Por fim, descreve o profeta sua visão da “arca do concerto” de Deus, contendo o
original da lei do Decálogo, visto no templo de Deus, cuja violação pelo mundo é
apresentada como causa de sua próxima destruição.
Apocalipse 11:1 – “Foi-me dada uma cana semelhante a uma vara, e foi-me dito:
Levanta-te e mede o templo de Deus e o altar, e os que nele adoram”.
O ato de medir algum objeto requer que seja dada atenção especial a ele. A ordem
de medir o templo de Deus implica em dizer que a igreja deveria dar uma atenção
especial ao santuário.
O povo que constituiria o novo movimento mundial surgido do desapontamento de
1844 deveria estudar com mais cuidado a questão do santuário. E o santuário, no
caso, só poderia ser o celestial, porque o templo de Jerusalém já havia sido
destruído por Tito no ano 70 e João recebera a visão no ano 96.
O verdadeiro povo de Deus é medido não de acordo com a sua estatura física, mas
por um padrão do que é certo: Uma lei, o referencial da santidade: “Falai de tal
maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei
da liberdade”(Tiago 2:12).
Apocalipse 11:2 – “Mas deixa o átrio que está fora do templo; não o meças,
porque foi dado aos gentios. Estes pisarão a cidade santa por quarenta e dois
meses.”
As nações européias (os “gentios”), no período de 42 meses, ou 1260 anos,
coagidas pelo papado, pisariam a Igreja de Cristo no próprio átrio do santuário,
onde o Senhor oficia como seu Sumo-Sacerdote.
O que João estava para testemunhar e o que registrou para nós, era a batalha
entre a Bíblia e o ateísmo. Essa batalha alcançou o clímax na Revolução
Francesa. Os acontecimentos desta terrível revolução têm se repetido nas últimas
décadas e vão se intensificar pouco antes da volta de Jesus.
Apocalipse 11:3 – “E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por
mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco.”
Apocalipse 11:4 – “Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão
diante do Senhor da terra”.
Tem havido muita especulação quanto à identidade dessas duas testemunhas. Alguns
procuram vê-las como literais, chegando mesmo a nomeá-las como Moisés e Elias.
Mas toda a linguagem aí é figurativa. O verso 4 diz: “Estas são as duas
oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Senhor da terra.”
Em Zacarias 4:11-14, as duas oliveiras representam a Palavra de Deus, e a
Palavra de Deus é sem dúvida uma luz. Diz o Salmo 119:105: “Lâmpada para os meus
pés é a Tua Palavra, e luz para o meu caminho”. Onde não há Bíblia, há escuridão
espiritual.
Analisando conjuntamente os textos de Apocalipse e de Zacarias, os dois
ressaltam que da oliveira verte o azeite, que é símbolo do Espírito Santo,
enquanto que os castiçais são portadores de luz; a luz do evangelho de Cristo.
Mas as Escrituras são mais do que uma luz; elas dão também testemunho da graça
de Deus. Jesus declarou que as Escrituras do Velho Testamento testificavam dEle.
Em Mateus 24:14 lemos: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo,
para testemunho a todas as nações”.
A explicação mais satisfatória desta profecia é que as testemunhas são o Velho e
o Novo Testamentos. É fora de dúvida que eles testificam de Cristo. “São estas
[as Escrituras] que de Mim testificam”. (João 5:39). Assim, na linguagem
simbólica do Apocalipse, os dois castiçais e as duas testemunhas são referências
à Palavra de Deus.
Durante 1260 anos, as duas testemunhas estão vestidas de pano de saco, um
símbolo de obscuridade. Nos tempos bíblicos, o pano de saco era uma referência
ao luto. Por que a Bíblia estava de luto? A Bíblia ficou escondida sob
linguagens desconhecidas. Quem não lesse o hebraico ou o grego não podia ler a
Bíblia.
Antes da imprensa, a Bíblia, que era escrita à mão, custava tão caro que somente
os que eram muito ricos podiam tê-la. Uma Bíblia custava mais do que uma
fazenda. Os mestres eruditos das Universidades tinham acesso à Bíblia, mas não
as pessoas comuns.
As vestes de pano de saco durante 1260 anos indicam a humilhação a que as
Escrituras foram submetidas naquele grande período de supremacia temporal do
papado, acertadamente chamado Idade Escura.
Apocalipse 11:5 – “Se alguém lhes quiser causar mal, das suas bocas sairá fogo e
devorará os seus inimigos. Se alguém lhes quiser causar mal, importa que assim
seja morto”.
Apocalipse 11:6 – “Estas têm poder para fechar o céu, para que não chova, nos
dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue, e
para ferir a terra com toda a sorte de pragas, quantas vezes quiserem”.
Estas palavras evidenciam o poder das duas testemunhas – Velho e Novo
Testamentos. Todos os seus inimigos, aqueles que pervertem os seus ensinos,
serão consumidos com o fogo devorador que sairá de suas bocas (Malaquias 4:1).
Pela Palavra de Deus, Elias fechou as janelas do céu de maneira que não choveu
por três anos e meio. Pela Palavra do Senhor, Moisés transformou em sangue as
águas do Egito. Assim, opor-se às duas testemunhas é um verdadeiro suicídio.
A Revolução Francesa Na Profecia
Apocalipse 11:7 – “Quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo
lhes fará guerra e os vencerá e matará”.
Depois do papado humilhar por 1260 anos as duas testemunhas, ou seja, a Bíblia,
um outro poder surge para fazer-lhe guerra. Na profecia, “besta” significa um
reino ou um poder (Dan.7:17 e 23). Subir “do abismo” indica um poder ateu que
surge da anarquia, do caos.
Qual foi o poder anárquico que surgiu em torno do fim dos 1260 anos da
supremacia papal, que terminou em 1798, e que guerrearia com as “duas
testemunhas” ou as Sagradas Escrituras?
Qualquer pessoa que conheça a história sabe que o novo poder, que se levantou
neste período, foi a França revolucionária. Este poder, indicado na profecia,
rejeitaria com violência as Escrituras Sagradas.
Em 10 de Novembro de 1793, Bíblias foram juntadas em Paris, amarradas à cauda de
um jumento e arrastadas pelas ruas da cidade. Quem fosse encontrado com uma
Bíblia em casa era condenado à morte. As ruas de Paris ficaram inundadas de
sangue com a morte de 50 mil pessoas, na noite de 11 de Setembro de 1793.
Apocalipse 11:8 – “E os seus corpos jazerão na praça da grande cidade que,
espiritualmente, se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi
crucificado”.
As duas testemunhas foram mortas pela França revolucionária “nas ruas da grande
cidade”. Não há dúvida de que a grande cidade aludida é Paris. Nesta profecia,
Paris é apresentada espiritualmente como “Sodoma e Egito”.
Nenhum monarca já se aventurou a rebelião mais aberta e arrogante contra Deus do
que o fez o rei do Egito. Foi no Egito que Faraó mostrou o seu ateísmo, dizendo:
“Quem é o Senhor, para que eu obedeça a Sua voz?” (Êxo.5:2). E a licenciosidade
de Sodoma era outra característica marcante de Paris.
Como é possível que Jesus fosse crucificado em Paris? Literalmente, sabemos que
isso não aconteceu. Mas, quando os seguidores de Cristo são perseguidos e
mortos, Ele toma isto como sendo feito diretamente a Ele mesmo. Jesus mesmo
dissera: “Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos
irmãos, a Mim o fizestes”.
Para a França crucificar a Jesus em Paris, devia fazer isto na pessoa de Seus
seguidores. Assim foi Jesus crucificado na “grande cidade” da licenciosidade e
do ateísmo nos tempos modernos.
Podemos encontrar ateus em muitos países do mundo, inclusive nos Estados Unidos,
Canadá, nos países da Europa e da América do Sul. Mas foi somente a França, como
nação, que rejeitou a Palavra de Deus e toda a sua população celebrou o evento.
Apocalipse 11:9 – “Homens de vários povos, tribos, línguas e nações verão os
seus corpos mortos por três dias e meio, e não permitirão que sejam sepultados”.
Muitos cristãos de outras nações, não compartilharam dos ímpios sentimentos dos
revolucionários franceses na guerra ateísta contra a Bíblia. Ao contrário,
protegeram suas nações do contágio da pestilenta atitude daqueles ateus sem
escrúpulos.
Eles não permitiram que as duas testemunhas fossem sepultadas, embora estivessem
mortas por três anos e meio. Foi realizado um gigantesco esforço por parte dos
verdadeiros cristãos para exaltação da Bíblia, tanto na França como em todas as
demais nações da Terra.
Apocalipse 11:10 – “Os que habitam na Terra se regozijarão sobre eles e se
alegrarão, e mandarão presentes uns aos outros, porque estes dois profetas
tinham atormentado os que habitam sobre a Terra”.
Temos aqui a alegria dos que odiavam as duas testemunhas que os atormentara pela
reprovação de seus maus atos. Aqueles que estavam contentes com a escuridão.
Conta a história que certa vez uma ajudante doméstica tinha sido chamada à
atenção, pois não fizera um bom serviço na limpeza e arrumação do quarto. Então,
ela replicou: “Quando eu limpei o quarto, estava escuro e não pude ver a
sujeira. Foi o Sol que entrou pela janela que criou o problema”.
A Bíblia era como o Sol, mostrando a imundície na vida das pessoas. É por isso
que muitos não gostavam da luz.
A Revolução Francesa se notabilizou pelo ódio contra o cristianismo e por sua
violência. Durante esse período, aproximadamente 50 pessoas eram decapitadas por
dia, por meio de um aparelho chamado guilhotina.
Apocalipse 11:11 – “Depois daqueles três dias e meio o espírito da vida, vindo
de Deus, entrou neles, e puseram-se de pé, e caiu grande temor sobre os que os
viram”.
Em 11 de Novembro de 1793, a Bíblia foi abolida na França por meio de decreto.
Em Novembro de 1796, foi tomada uma resolução dando tolerância à Bíblia. Esta
resolução não foi promulgada até Junho de 1797, cumprindo à risca o período de
três anos e meio.
Apocalipse 11:12 – “Então ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi
para aqui. E subiram ao céu em uma nuvem, e os seus inimigos os viram”.
A Bíblia foi exaltada e honrada como nunca. Antes de 1804, a Bíblia havia sido
impressa e distribuída em 15 línguas. Hoje, porém, sua mensagem pode ser lida em
mais de 1280 idiomas diferentes. Verdadeiramente as duas testemunhas “subiram ao
céu em uma nuvem”.
Apocalipse 11:13 – “Naquela mesma hora houve um grande terremoto, e caiu a
décima parte da cidade. No terremoto foram mortos sete mil homens, e os demais
ficaram atemorizados, e deram glória ao Deus do céu”.
Este terremoto não é literal, mas simbólico, pois, desde o versículo sete, a
profecia vem tratando da grande catástrofe que caiu sobre o povo francês com
aquela revolução. O “terror” imposto pela revolução foi, na verdade, o “grande
terremoto” moral que abalou toda a França.
A França era um dos dez reinos representados pelos dez dedos da imagem de
Nabucodonosor, um dos chifres do animal com dez chifres de Daniel (Daniel 7:24)
e o dragão de dez chifres de João (Apocalipse 12:3).
Com arrogância, a França desafiou todas as posições de autoridade, o que
resultou na mais completa anarquia. Seus atos, os quais desonravam a Deus e
desafiavam o Céu, encheram a França de cenas tão sanguinárias, tanta carnificina
e horror, que até mesmo os próprios incrédulos tremeram e ficaram aterrorizados.
Os “remanescentes” que conseguiram escapar dos horrores daquela hora “deram
glória ao Deus do Céu”, não porque quisessem, mas porque o Deus do Céu fez com
que “até a ira humana” O louvasse. Todo o mundo pode ver que os que fazem guerra
contra Deus, cavam suas próprias sepulturas.
Apocalipse 11:14 – “É passado o segundo ai; eis que o terceiro ai cedo virá”.
Findou em 11 de Agosto de 1840, com a queda do Império Turco-Otomano, o segundo
ai, referente a sexta trombeta. É, porém, surpreendente que o profeta colocasse
o fim do segundo “ai” imediatamente depois de descrever as cenas proféticas da
revolução francesa e não em seguida da queda do império turco, na sexta
trombeta. Possivelmente, dada a importância da revolução francesa em suas
relações com Deus e o cristianismo, é que ela figura como um parêntesis dentro
da sexta trombeta.
Conjuntamente, acompanha a advertência de que o terceiro “ai”, ou seja, a sétima
trombeta, que começou a soar em 1844, logo haveria de vir.
Apocalipse 11:15 – “O sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes
vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu
Cristo, e ele reinará para todo o sempre”.
Apocalipse 11:16 – “E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus
tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos, e adoraram a Deus,”
Apocalipse 11:17 – “dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-poderoso, que és,
e que eras, porque tomaste o teu grande poder, e reinaste”.
Apocalipse 11:18 – “Iraram-se as nações; então veio a tua ira, e o tempo de
serem julgados os mortos, e o tempo de dares recompensa aos profetas; teus
servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o
tempo de destruíres os que destroem a terra.”
Apocalipse 11:19 – “Abriu-se no céu o templo de Deus, e a arca da sua aliança
foi vista no seu santuário. E houve relâmpagos, vozes e trovões, e terremoto e
grande chuva de pedras”.
A SÉTIMA TROMBETA
Ao soar a sétima trombeta, grandes vozes no Céu anunciam o maior acontecimento
da história do mundo: a intervenção de Cristo na Terra. As primeiras seis
trombetas anunciaram e realizaram a queda de Roma Ocidental e Oriental, pelos
visigodos, vândalos, hunos, hérulos, árabes e turcos.
A sétima trombeta anuncia a queda total das nações e do poderio do homem no
mundo, pela intervenção de Cristo.
Uma vez mais, vemos o templo no Céu. A arca do Testamento é vista no lugar
santíssimo. Os trovões, terremotos e grande saraivada representam o poder e a
glória de Deus no Seu trono. – Texto da Jornalista Graciela Érika Rodrigues,
inspirado na palestra do Dr. Mauro Braga, S. Paulo.
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