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Publicado em: 12/3/2008
Capítulo 6 de Apocalipse
No capítulo anterior, vimos o Cordeiro tomar o livro selado da mão de Deus, sob
uma aclamação nunca antes vista no Universo. Neste, vamos vê-Lo abrir os selos,
um por um. O capítulo 6 trata dos seis primeiros selos, o sétimo é explorado no
capítulo 8 de Apocalipse.
João visualiza cenas. Assim, como em outros capítulos, a simbologia é bastante
utilizada. É importante citar que a seqüência profética e simbólica dos sete
selos relaciona-se com o mesmo terreno coberto pela profecia das sete igrejas,
mas dando ênfase a outros eventos.
As profecias do Apocalipse não são sucessivas; mas repetitivas; isto é, elas são
reafirmadas cobrindo os mesmos períodos de tempo. Os sete selos, por exemplo, e
as sete trombetas, cobrem o mesmo período das sete igrejas.
O princípio de interpretação profética, destacado pelo próprio Senhor Jesus, é
que somente quando a profecia encontra o seu cumprimento é que pode ser
plenamente compreendida. Três vezes Jesus disse isso no cenáculo: “Eis que vos
tenho dito antes que aconteça, para que quando acontecer possais crer” (João
14:29, 13:19 e 16:4).
O propósito do cumprimento das profecias é de fortalecer nossa fé.
Os quatro cavalos e suas diferentes cores – conforme descrito nos quatro
primeiros selos – representam as quatro primeiras fases da igreja cristã (Éfeso,
Esmirna, Pérgamo e Tiatira).
Os quatros cavaleiros do Apocalipse:
O PRIMEIRO SELO
Apoc. 6:1: “Vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos, e ouvi um dos quatro
seres viventes dizer, como se fosse voz de trovão: Vem!”
Apoc. 6:2: “Olhei, e vi um cavalo branco. O seu cavaleiro tinha um arco, e
foi-lhe dada uma coroa, e ele saiu vencendo, e para vencer”.
O cavalo branco simboliza pureza e vitória. Cristo é o cavaleiro.
Nos dias em que o Apocalipse foi escrito, o cavalo era o meio mais rápido de
comunicação (como o e-mail, hoje). Além disso, a cavalaria era a principal arma
de guerra. Cavalo, portanto, é símbolo do poder e da rapidez necessários à
pregação do evangelho; tarefa incumbida à igreja de Deus. A cor branca era
símbolo de vitória sobre o inimigo.
A mesma figura é aplicada na profecia que menciona a Segunda Vinda triunfal de
Cristo, que o apresenta vindo à terra vestido de branco e cavalgando um cavalo
branco.
O primeiro cavalo, de cor branca, é uma alusão aos triunfos da igreja
apostólica, no período de 34 a 100 dC. A igreja cristã era pura na doutrina,
porque foi conduzida diretamente por Cristo. O arco que o cavaleiro trazia, nos
dias antigos, era uma arma de ataque; um poderoso instrumento de guerra. A
grande munição dos exércitos daquele tempo eram as flechas.
Ao sair para a batalha, o cavaleiro recebe uma coroa. Enquanto os vencedores
deste mundo recebem a coroa somente após a vitória, Cristo, o cavaleiro do
primeiro selo, recebe a coroa antecipadamente, como evidência segura de Sua
vitória.
Há poder na mensagem do evangelho. A conquista não é por meio de argumentos.
Jesus não disse: “Vocês são Meus advogados”. Jesus disse: “Vocês são Minhas
testemunhas”. É por isso que a mensagem revolucionou o mundo.
O SEGUNDO SELO
Apoc. 6:3: “Quando o Cordeiro abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente
dizer: Vem!”
Apoc. 6:4: “Então saiu outro cavalo, vermelho. Ao seu cavaleiro foi dado tirar a
paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros. Também lhe foi dada
uma grande espada”.
O cavalo vermelho simboliza sangue, corrupção e pecado. O cavaleiro representa o
Império Romano pagão.
O segundo selo apresenta a igreja em estado de corrupção. A cor vermelha, em se
tratando de vida espiritual, simboliza o pecado. “Ainda que os vossos pecados
sejam vermelhos como o carmesim...” (Isa.1:18).
A igreja incorporou doutrinas pagãs e abandonou a pureza da verdade. Este
período do segundo selo, de corrupção dos princípios básicos da igreja,
estendeu-se do ano 100 ao ano 313 dC.
Milhões morreram quando o Império Romano tentou varrer o cristianismo da face da
terra. A perseguição contra cristãos foi seguida de muitas mortes, porém, por
causa do sangue de muitos mártires, o cristianismo crescia a cada dia.
Os cristãos primitivos não tinham liberdade como nós temos, hoje, de ir à igreja
prestar culto a Deus. Ser cristão, era um crime punido com a morte.
Conta-se que no Concílio de Nicéia, em 325 d.C, quase todas as pessoas
apresentavam algum tipo de mutilação, resultado da perseguição. O tempo do
cavalo vermelho foi o tempo em que os pagãos perseguiram intensamente os
cristãos.
O TERCEIRO SELO
Apoc. 6:5: “Quando o Cordeiro abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente
dizer: Vem! Olhei, e vi um cavalo preto. O seu cavaleiro tinha uma balança na
mão”.
Apoc. 6:6: “E ouvi uma como que voz no meio dos quatro seres viventes, que
dizia: Uma medida de trigo por um denário, e três medidas de cevada por um
denário, e não danifiques o azeite e o vinho”.
O cavalo preto simboliza luto e trevas espirituais. O cavaleiro representa o
Imperador Romano.
O cristianismo já não era mais ilícito. Era popular. As pessoas eram
incentivadas a tornarem-se cristãs. Mas o cristianismo já não era mais puro. Não
era mais branco. Era tão corrupto que foi representado por um cavalo preto. As
doutrinas pagãs tomaram o lugar das doutrinas verdadeiras e puras da igreja
primitiva.
Foi durante esse período que a igreja começou a dominar o Estado ou o governo
(313 a 538 dC). A partir daí, não eram mais os pagãos que perseguiam os
cristãos. Eram os cristãos que passaram a perseguir os pagãos.
A balança é o símbolo da justiça. A utilização desse símbolo demonstra que a
Igreja e o Estado estariam unidos para exercer a autoridade judicial. Isso foi
verdade entre os imperadores romanos desde Constantino até Justiniano, quando
ele entregou a mesma autoridade judicial ao bispo de Roma.
Nesta visão, João viu uma balança na mão do cavaleiro. “Uma medida de trigo por
um denário; e três medidas de cevada por um denário”. Deus havia ordenado que o
pão da vida devia ser de graça. Mas agora estava sendo vendido. Neste período, a
religião tornou-se um negócio.
O trigo representa a pura verdade do evangelho de Cristo; enquanto a cevada,
representa as tradições e erros que penetraram na igreja. Em razão de sua
escassez, o trigo era vendido por valor maior do que a cevada. Três medidas de
cevada eram vendidas pelo mesmo preço de uma medida de trigo.
E até hoje, este estado de coisas perdura no chamado cristianismo nominal.
Aquele que apresenta ao mundo, evidentemente, mais “cevada” do que “trigo”; ou
seja, mais erros tradicionais do que verdades fundamentais.
Nas Escrituras Sagradas, o azeite é símbolo do Espírito Santo, enquanto o vinho
representa o sangue de Cristo. A expressão: “Não danifiques o azeite e o vinho”
reclama que não se pode invocar o nome de Cristo e do Espírito Santo, quando se
prega o erro e a “tradição dos homens” em lugar da verdade de Deus.
O QUARTO SELO
Apoc. 6:7: “Quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser
vivente, que dizia: Vem!”
Apoc. 6:8: “Olhei, e vi um cavalo amarelo. O seu cavaleiro chamava-se Morte, e o
inferno o seguia. Foi-lhes dado poder sobre a quarta parte da terra para matar
com a espada, com a fome, com a peste e com as feras da terra”.
O cavalo amarelo simboliza a morte. O cavaleiro é representado pelo Papado.
Na verdade, a palavra grega que designa a cor deste cavalo é “chloros”, que é um
esverdeado pálido. A cor da morte.
Foi durante os 1.260 anos da perseguição que os templos pagãos viraram igrejas
cristãs. Mas o povo verdadeiro de Deus teve que fugir para as montanhas a fim de
adorar o seu Deus.
Não eram mais pagãos perseguindo cristãos. Não eram mais cristãos perseguindo
pagãos. Agora, eram cristãos perseguindo e matando outros cristãos. A Roma
cristã não crucificava pessoas como a Roma pagã fazia. A Roma cristã as queimava
vivas. A Roma pagã torturava criminosos por roubarem, mas a Roma cristã
torturava cristãos por lerem e seguirem a Bíblia.
No período do quarto selo, que foi de 538 a 1517 dC, foi dado ao cavaleiro que
monta o cavalo amarelo, ou tem as rédeas da igreja em suas mãos, o nome de
“Morte”.
Esta é uma prova real da carnificina que foi a Inquisição. O papado efetuou uma
grande chacina e levou multidões à sepultura. Inferno, ou “hades”, designa o
lugar dos mortos ou sepultura.
O QUINTO SELO
Apoc. 6:9: “Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que
foram mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que deram”.
Apoc. 6:10: “E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e
santo Soberano, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a
terra?”
Apoc. 6:11: “E foram dadas a cada um deles compridas vestes brancas, e foi-lhes
dito que repousassem ainda por pouco tempo, até que se completasse o número dos
seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos, como também eles foram”.
O quinto selo é uma sucessão do quarto e estende-se do período que vai do ano
1517 a 1755, d.C. No quarto selo, vimos os terríveis extermínios do papado
contra o povo de Deus. O quinto selo nos mostra o quadro das testemunhas de Deus
e de Seus Filhos mortos pela espada papal.
Para entender o que significam as “almas debaixo do altar” é preciso responder a
4 perguntas:
1) O que significa o termo “alma”?
A palavra “alma”, do nosso texto, vem do grego “psyche” e é mencionada 103 vezes
no Novo Testamento. “Psyche” é traduzido em inúmeras passagens por “pessoa”.
Por exemplo, referindo-se aos convertidos no Pentecostes, é dito que: “naquele
dia agregaram-se quase 3000 almas” (psyche) Atos 2:41. Fica claro que João teve
a visão das próprias pessoas dos mártires das perseguições papais do quarto
selo, e não supostas almas desincorporadas.
2) Existe algum altar de sacrifícios no Céu?
Por outro lado, no Céu não existe um altar para sacrifícios. Por isso, a
expressão de João de que viu “debaixo do altar as almas dos que foram mortos”,
no período da perseguição papal, deve ser entendida como uma afirmativa de que
eles estão debaixo da terra, ou em seus sepulcros.
3) Pode haver espírito de vingança no Céu?
Não podemos imaginar que o espírito de vingança possa dominar de tal maneira as
mentes das almas no Céu a ponto de fazer com que, a despeito da alegria e da
glória do Céu, elas não ficassem satisfeitas enquanto não vissem a vingança
praticada contra os seus inimigos. Será que há lugar para ódio, no coração dos
habitantes do Céu? Com certeza que não; nunca, jamais!
4) Por que essas almas estariam clamando por vingança?
Se a idéia popular que coloca essas almas no Céu fosse verdade, seus
perseguidores estariam queimando num suposto inferno. Por que essas almas
estariam clamando por vingança? Que vingança maior poderiam querer?
O sangue clama por vingança é a mesma expressão usada no livro de Gênesis. O
sangue de Abel clama por vingança (Gên. 4:9 e 10).
O clamor figurado dos milhões e milhões de mártires do quarto selo, longe está
de afirmar que eles estejam no Céu. É apenas um alerta de que Deus punirá, no
tempo certo, os seus inimigos.
O que João viu – numa visão simbólica – foi o clamor de justiça que será
satisfeito no devido tempo. “A voz do sangue do teu irmão clama a Mim desde a
Terra” (Gen.4:10). E, por acaso, sangue tem voz? É evidente que se trata de uma
linguagem figurada.
As vestes brancas comprovam o caráter daqueles que foram covardemente
martirizados, não porque fossem criminosos, mas “por causa da palavra de Deus e
por causa do testemunho que deram”.
A frase repouso por pouco tempo é outra evidência de que não poderiam estar no
Céu, mas em seus sepulcros onde deveriam permanecer mais um pouco.
O SEXTO SELO
Apoc. 6:12: “Olhei, enquanto ele abria o sexto selo. Houve um grande terremoto.
O sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue”.
Apoc. 6:13: “As estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira,
sacudida por um vento forte, deixa cair os seus figos verdes”.
Apoc. 6:14: “O céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola, e todos os
montes e ilhas foram removidos dos seus lugares”.
Apoc. 6:15: “Os reis da terra, os grandes, os chefes militares, os ricos, os
poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos
dos montes,”
Apoc. 6:16: “e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos
do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro!”
Apoc. 6:17: “Pois é vindo o grande dia da ira deles, e quem poderá subsistir?”
João visualiza a abertura do sexto selo, onde estão descritos os sinais da
iminente volta de Jesus. A linguagem que antes era simbólica passa a ser
literal.
Os escritores do Velho Testamento, e o próprio Cristo, falaram muitas vezes de
grandes sinais no Universo físico, no Sol, na Lua, nas estrelas e na Terra.
Esses sinais seriam indicações especiais da volta de nosso Senhor.
No século 18, em 1º de Novembro de 1755, na cidade de Lisboa, capital de
Portugal, ocorreu o maior terremoto de toda a história. A maior parte da cidade
foi destruída em apenas 6 minutos. Abalou outras cidades da Europa e da África.
O dia escuro ocorreu no dia 19 de Maio de 1780, no Estado de Connecticut.
Na noite seguinte ao dia escuro, a Lua se mostrou vermelha como sangue.
Na noite de 12 de Novembro de 1833, uma tempestade de estrelas cadentes irrompeu
sobre a Terra. A América do Norte recebeu o maior impacto deste chuveiro de
estrelas.
De acordo com a profecia descrita em Apocalipse 6, estamos vivendo entre os
versos 13 e 14. Os eventos do verso 13 já ocorreram. Os próximos acontecimentos
no programa de Deus estão descritos no verso 14. O Céu se retira como um rolo.
Cada montanha e ilhas serão removidas.
João descreve que haverá um tempo em que as pessoas irão correr e se esconder.
Numa grande reunião, irão desejar que os montes caiam sobre elas, pois não
conseguirão encarar a face com Deus.
Estas pessoas são todos aqueles que, infelizmente, não dedicaram suas vidas a
Deus. Não reconheceram Jesus como Salvador, Senhor e Advogado. Mas ainda há
tempo. É preciso tomar uma decisão, a escolha deve ser imediata.
Texto da Jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirado na palestra do Advogado,
Dr. Mauro Braga.
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