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Publicado em: 5/3/2008
Capítulo 2 de Apocalipse, Segunda Parte
III - A igreja de Pérgamo
Pérgamo era uma cidade universitária, famosa pelos seus mestres na arte de
curar. Tinha uma biblioteca com 200 mil rolos. Esses rolos eram feitos de
pelica, uma forma refinada de couro.
Pérgamo, é uma modificação da palavra pelica. O rei de Pérgamo recebia o título
de "Pontífice Máximo", que significa: "o Edificador da Grande Ponte".
Nisto vemos uma semelhança com a torre de Babel, cujo propósito era alcançar o
céu por esforços humanos. Quando o rei de Pérgamo entregou seu reino aos
romanos, todo este culto foi transferido para Roma.
Assim, o título "Pontífice Máximo" foi absorvido pelo cristianismo romano.
Pérgamo tornou-se, assim, um elo entre a antiga Babilônia e a moderna Roma.
O período relacionado à igreja de Pérgamo foi de 313 d.C a 538 d.C. A palavra
Pérgamo significa "exaltação", "elevação", porque a própria cidade estava
edificada 1000 pés acima do nível do vale. Este significado descreve o caráter e
a vida espiritual da igreja em seu novo período.
Apoc. 2:12: "Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Isto diz Aquele que tem a
espada afiada de dois gumes.
Jesus Se apresenta à igreja deste período como uma espada de dois gumes. Espada
"palavra de Deus que penetra até a medula", diz Paulo, "que interpreta os
pensamentos e intenções do coração" (Heb.4:12).
Apoc. 2:13: "Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás. Contudo,
reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, mesmo nos dias de Antipas, minha
fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita".
É a terceira vez que Jesus diz estar a par das obras de Sua igreja. Esta carta é
uma veemente denúncia. Jesus sabia que a igreja estava se aliando ao mundanismo,
dando início à apostasia.
Deste período da igreja de Pérgamo, de 313 a 538, ou de Constantino a
Justiniano, em que ela foi considerada Igreja Imperial, disse Jesus que ela
habitava no "trono de Satanás". Jesus lamentava que Sua igreja escolhesse para
sede a mesma cidade onde estava o trono de Satanás, a cidade dos Césares - Roma.
Conivência Com o Erro
Apoc.2:14: "Todavia, tenho algumas coisas contra ti; Tens aí os que seguem a
doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos
de Israel, levando-os a comer das coisas sacrificadas aos ídolos, e praticar a
prostituição".
A doutrina de Balaão pode ser resumida como idolatria pagã. Como o paganismo não
podia vencer a igreja, então fez amizade com ela. Assim, paulatinamente, as
práticas e cerimônias pagãs foram sendo introduzidas aos poucos no cristianismo,
para amenizar as perseguições.
Dessa forma, o cristianismo passou a freqüentar as cortes e palácios dos
imperadores, trocando a simplicidade de Cristo e de seus apóstolos pela pompa e
orgulho dos sacerdotes; em lugar dos mandamentos de Deus, entraram teorias e
tradições humanas.
Assim como fez com Balaão, Satanás corrompeu a igreja através de uma aliança com
o mundo. Na pessoa de Constantino, a igreja subiu ao trono dos Césares e reinou
como uma rainha. Houve uma mútua transigência e tolerância entre o cristianismo
e o paganismo. Por causa da influência pagã, o cristianismo mudou tanto que se
tornou um paganismo batizado.
Apoc. 2:15: "Assim tens também alguns que seguem a doutrina dos nicolaítas".
Apoc. 2:16: "Arrepende-te, pois! Se não em breve virei a ti, e contra eles
batalharei com a espada da minha boca".
A igreja foi chamada ao arrependimento, ao abandono das doutrinas de Balaão e
dos nicolaítas: a idolatria e a prostituição da verdade.
Apoc. 2:17: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que
vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo
nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe".
Quando qualquer pessoa entre os gregos era acusada de crimes contra o Estado e
era julgada pelos cidadãos, eles votavam por absolvição com uma pedra branca; e
por condenação, com uma pedra preta. Cristo, o único juiz do Seu povo, ao
prometer dar aos vencedores uma pedra branca, está lhes dando a certeza da
absolvição.
IV - A igreja de Tiatira
Das sete cartas, esta foi a mais longa. A cidade de Tiatira estava localizada
numa região estratégica para muitos negócios. Tinham como fonte de renda uma
brilhante tintura vermelha, conhecida como púrpura. Pode ser considerada a
Igreja da Idade Média. O período relacionado a Tiatira foi de 538 d.C até 1517
d.C.
A palavra Tiatira significa "sacrifício", "dificuldade", que bem descreve a
situação da igreja em sua quarta etapa. A igreja foi perseguida de morte pelo
papado romano, principalmente no movimento chamado de inquisição.
Apoc. 2:18: "Ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que
tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente:"
Cristo Se apresenta à Sua igreja neste período, pela primeira vez e a única em
todo o Apocalipse, como "Filho de Deus", exatamente porque sabia que o lugar do
Filho de Deus seria usurpado por aquele que se apresentaria como Seu substituto
na terra. A igreja não deveria trocar de Senhor.
Apoc. 2:19: "Conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e
a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas do que as
primeiras".
Jesus elogia Seu povo. Foi o período que precedeu à grande obra da Reforma.
Reconhecido também por "Igreja do Deserto", época das grandes perseguições de
Roma papal, contra o povo de Deus.
Neste tempo adverso, a igreja cristã manifestou fé, paciência e consagração. A
história dos Valdenses é uma prova disso. Rejeitando a supremacia dos papas,
eles mantinham a Escritura Sagrada como única autoridade suprema e infalível.
Escondidos nas montanhas e em cavernas, dedicavam-se a copiar as Escrituras,
capítulo por capítulo, versículo por versículo. Por isso, a palavra de Deus foi
conservada através dos séculos.
Seguidores de Jezabel
Apoc.2:20: "Mas tenho contra ti que toleras a Jezabel, mulher que se diz
profetisa. Com o seu ensino ela engana os meus servos, seduzindo-os a se
prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos".
Na igreja de Pérgamo havia os que seguiam a doutrina de Balaão - idolatria e
prostituição. Na igreja de Tiatira, é mencionado haver uma mulher ensinando e
enganando também com idolatria e prostituição.
Mas, quem era a Jezabel da época da igreja de Tiatira?
A mulher é empregada nas profecias como símbolo de igreja. Se a profecia fala
que a igreja verdadeira é simbolizada por uma mulher virgem e pura, então aquela
mulher que ensina a mentira para enganar só pode representar uma igreja falsa.
Conseqüentemente, a Jezabel de Tiatira representa uma falsa igreja que ensina
idolatria e prostituição das doutrinas de Cristo.
A Jezabel, do antigo Testamento, praticou várias obras detestáveis aos olhos de
Deus:
1) Ela se casou com o rei Acabe e tornou-se rainha de Israel;
2) Por ser filha de um rei pagão, ela introduziu a idolatria entre o povo de
Deus;
3) Proibiu o verdadeiro culto a Jeová;
4) A adoração ao Sol tomou o lugar da adoração a Jeová;
5) Trouxe sacerdotes pagãos para Israel;
6) Perseguiu até à morte os verdadeiros servos de Deus;
7) Os que se recusavam a deixar de adorar a Deus eram mortos (I Reis 16-21).
Diante disso, é de se perguntar: Quem foi a Jezabel, ou a igreja, que, nos
séculos do período de Tiatira, introduziu na Igreja Cristã a idolatria, que
proibiu o verdadeiro culto a Deus, que tinha um grande número de sacerdotes sob
suas ordens e que perseguiu os servos de Deus que se opunham à sua autoridade?
Apoc. 2:21: "Dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua imoralidade, mas ela
não quer se arrepender".
A profecia diz que Deus concedeu um tempo para que essa igreja, a Jezabel, se
arrependesse de sua prostituição espiritual, mas não se arrependeu. Todo
afastamento dos princípios fundamentais de Cristo é prostituição e apostasia.
Apoc. 2:22: "Portanto, lançá-la-ei num leito de dores, bem como em grande
tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela
incita".
Apoc. 2:23: "Ferirei de morte a seus filhos. Então todas as igrejas saberão que
Eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações, e darei a cada um de vós
segundo as vossas obras".
Apoc. 2:24: "Digo-vos, porém, a vós, os demais que estão em Tiatira, a todos
quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de
Satanás, que outra carga não porei sobre vós".
Todo desvio da doutrina correta é considerado adultério. Como conseqüência,
todos os que persistirem voluntariamente com essa igreja na idolatria e
prostituição, após receberem o pleno conhecimento da verdade, terão que
enfrentar as sete pragas que serão estudadas no capítulo 16.
Os "filhos" de Jezabel são evidentemente os adeptos desta falsa igreja. Estes,
se não se arrependerem a tempo, como assegura a profecia, conhecerão a segunda
morte, porque serão julgados e condenados segundo as suas próprias obras e não
segundo as obras de Cristo.
Um Depósito Sagrado
Apoc. 2:25: "O que tendes, retende-o até que eu venha".
A eterna verdade do evangelho de Cristo foi confiada à Sua igreja nesta Terra.
Por nada no mundo a igreja pode descuidar deste patrimônio. O desejo de Cristo é
que Seus seguidores defendam a verdade à todo custo.
Apoc. 2:26: "Ao que vencer, e guardar até o fim as minhas obras, Eu lhe darei
autoridade sobre as nações,"
Apoc. 2:27: "e com vara de ferro as regerá, quebrando-as como são quebrados os
vasos de oleiro; assim como também recebi autoridade de meu Pai."
Apoc. 2:28: "Também lhe darei a estrela da manhã".
A estrela da manhã é Jesus (Apoc. 22:16). Ele oferece a Si mesmo, para ser a
nossa companhia.
Apoc. 2:29: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas".
Durante a Idade Escura, cada região da Europa esteve sob a inspeção direta da
igreja. Não somente reis em seus tronos, mas até pessoas comuns, em suas
próprias casas, se submetiam ao poder de Roma. A igreja colocou-se entre o rei e
os seus súditos, pais e filhos, maridos e mulheres.
Os segredos dos corações eram abertos no confessionário. A igreja ensinou que as
pessoas eram salvas pelas boas obras. Penitência e indulgências tiraram o pão de
muitas bocas. Um forte governo, com um domínio como jamais foi visto,
assentou-se no trono.
No próximo estudo vamos conhecer as mensagens às igrejas de Sardes e Filadélfia.
Textos da jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirados nas pregações do
advogado, Dr. Mauro Braga.
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