Salmo 30 - Graças Pela Vitória

Aqui temos um salmo de Davi, que contém preciosas lições para a nossa vida hoje, porque a Bíblia continua sendo muito atual. As mensagens dadas há 1.000 AC são de grande valor também para os nossos dias, como foi nos dias de Davi, o suave cantor de Israel.

Vamos ler os primeiros versículos do Salmo 30: 1: Eu te exaltarei, ó Senhor, porque tu me livraste e não permitiste que os meus inimigos se regozijassem contra mim. 2: Senhor, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste. 3: Senhor, da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura.”

I – A Promessa de Davi

Quando se dirige a Deus, ele promete: "Eu Te exaltarei, ó Senhor!" Este é um salmo de exaltação a Deus. Mas o que significa "exaltar"? Significa enaltecer, engrandecer, colocar num pedestal de glória. Este era o seu alvo: exaltar a Deus.

Algumas pessoas se exaltam a si mesmas; elas gostam de se colocar em evidência. Quando falamos mal dos outros, quando chamamos a atenção para as nossas virtudes, quando somos egoístas, ou quando somos orgulhosos e humilhamos os outros, quando gritamos para os filhos, ou para o marido, ou para a esposa, estamos nos exaltando a nós mesmos. Mas naturalmente, isto só afasta as outras pessoas, e não estamos procedendo corretamente.

Mas como podemos exaltar a Deus?

1) Cantando hinos de louvor. Os cristãos gostam de cantar os louvores de Deus em hinos que exaltam o amor, o poder e os atributos de Deus. Quando cantamos que “Deus é amor”, exaltamos ao Senhor como a nenhum outro. Quando cantamos que Deus é Todo-Poderoso, nós o exaltamos de uma forma singular. Quando cantamos que Ele é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, imortal, invencível, eterno, imutável, onisciente, nós o exaltamos como de fato Ele é o Supremo Deus do Universo.

2) Pregando o evangelho, exaltamos a Deus. Desde os primórdios, quando Adão e Eva pecaram, o Evangelho está sendo pregado.  Quando Abraão foi chamado, o Evangelho foi pregado. Israel foi para o Egito, e lá foi também pregado o Evangelho da graça divina estendida aos pecadores. Salomão e todos os reis de Israel receberam a incumbência de exaltar a Deus através da pregação do Evangelho. Desse modo, as nações conheceriam ao Deus Jeová. Davi exaltava a Deus pregando o Evangelho da graça a todos os povos. Disse ele: “Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos nele com tremor.” (Sl 2:10-11). Hoje, também, como cristãos, pregamos o Evangelho a todo o mundo e exaltamos a Deus através desse método. Somente pela exaltação de Deus ao mundo, este Evangelho chegará até os confins da terra.

3) Vivendo a verdade, também exaltamos a Deus. Não basta conhecer a verdade. Não basta pregar o Evangelho. Temos o dever sagrado de viver a verdade. Porque, não viver a verdade é ser incoerente; é ser hipócrita. Não viver a verdade evangélica é pregar uma coisa e praticar outra, o que seria contrário à própria verdade. Seria viver uma mentira. Mas quando nós vivemos os princípios revelados na verdade divina, nós exaltamos Aquele que disse ser Ele mesmo a Verdade em Pessoa: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14:6). O grande problema de nosso tempo é que muitos estão professando o cristianismo, mas vivendo independentemente de Cristo. Não vivem a verdade pregada por Seu Salvador. Aqueles que a vivem, O exaltam, e atraem os próprios anjos que se agradam de estar em sua presença e ao seu lado.

4) Reconhecendo as Obras de Deus. Também exaltamos a Deus desse modo. As Suas obras são dignas do Seu Autor. Em meio à Natureza, contemplando as maravilhas do mar, as grandezas dos céus, os animais em sua variedade imensa, nós podemos exaltar ao Criador. Com efeito, o mar, a terra e os céus – todos em uníssono exaltam o Seu Criador. Muitos ateus já reconheceram que as obras vistas da Natureza proclamam silenciosamente, mas não menos convincentes, que há um poderoso Deus que deve ser reconhecido e exaltado.

5) Colocando a Deus em 1° Lugar, dando-Lhe a preferência. Se nós O ouvirmos quando nos fala, se nós obedecermos quando nos ordena, se nós O buscarmos na nossa infância e juventude e nas primeiras horas do dia, estaremos colocando a Deus em 1º lugar e exaltando Aquele que deve ter a primazia em nossa vida.

Por que razões Davi exalta a Deus? Davi promete exaltar a Deus por lhe dar 3 vitórias:

1. Vitória contra os Inimigos (v. 1:) “Eu te exaltarei, ó Senhor, porque tu me livraste e não permitiste que os meus inimigos se regozijassem contra mim.” Em campos de batalha, muitas vezes o rei Davi alcançou inúmeras vitórias esmagadoras contra os seus adversários.  Mas ao invés de se exaltar a si mesmo, Davi se lembrou de que a força do seu braço era proveniente de Deus e, portanto, ele promete exaltar ao Senhor porque Deus lhe deu a vitória. Os seus inimigos não puderam se regozijar contra ele.

Nós também temos inimigos. Por todos os lugares se levantam inimigos contra a nossa vida. Mas os nossos maiores inimigos não são de carne e ossos; estes são apenas pessoas que são usadas como instrumentos nas mãos de nosso arquiinimigo, que é Satanás, o Diabo, e seus anjos que são milhões; estes sim são os nossos inimigos que fazem de tudo para nos derrotar e dão gargalhadas e se regozijam com a nossa queda e nossos fracassos. Mas nós podemos alcançar a vitória contra esses adversários, que ao invés de se regozijarem contra nós, eles fugirão, atemorizados: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tg 4:7).

2. Vitória contra a Enfermidade (v. 2:) “Senhor, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste.” Davi também adoecia. Ele se encontrava enfermo certa vez, e clamou por socorro, e Deus o sarou, curou o seu mal, restaurou a sua saúde.

Muitas vezes, nós também adoecemos. Alguma enfermidade começa a minar as nossas energias, e algumas vezes sucumbimos e caímos de cama. O que devemos fazer? Devemos fazer o que fez Davi: ele clamou por socorro, e Deus o atendeu e o curou. Isso também pode acontecer conosco. Mas temos que clamar por socorro, temos que suplicar com fervor; temos que colocar o nosso coração na súplica. Temos que implorar a saúde, dizendo-Lhe mesmo que doentes não podem servi-Lo com perfeição.

No entanto, não basta clamar a Deus por socorro. Muitas pessoas se mantém distantes de Deus e, quando vem a doença, vão clamar ao Senhor exigindo que Ele as cure. Temos, antes de tudo, que ter um relacionamento íntimo com Deus. Temos que ter a capacidade de nos dirigir a Ele como o “meu Deus”, que é o resultado de mantermos uma comunhão ininterrupta com Ele. Deus deve ser um Deus pessoal para mim; Ele é o “meu Deus”. Então, seremos sarados; mas não esqueçamos de Lhe dar graças, exaltando o nome de nosso Deus, porque “Ele é quem perdoa todas as tuas iniqüidades; quem sara todas as tuas enfermidades” (Sl 103:3).

3. Vitória contra a Morte (v. 3:) “Senhor, da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura.” Davi esteve à beira da sepultura, quase à morte. Mas Davi prometeu exaltar a Deus porque Ele o livrou da morte. Muitas vezes, Deus nos livrou da morte, e devemos exaltar a Deus por isso. Deus já me livrou de muitos acidentes automobilísticos, Ele me livrou de me afogar no mar e num rio (depois disso eu fui para uma escola de natação). Deus me livrou de assaltantes e bandidos. Muitas vezes, os anjos foram enviados, a fim de que nós escapássemos de ir para o reino dos mortos.

Mas parece que muitos não valorizam o livramento divino. Um dia, um homem foi se gloriar diante do Pastor Henry Feyerabend, dizendo: “Eu tive muita sorte hoje! Um caminhão passou por mim, bem perto e quase me atropelou; por pouco eu não morri.”

“Eu tive mais sorte que você!” disse o Pastor Feyerabend.

“Ah, é? O senhor também quase foi atropelado?”

“Não, eu nem cheguei perto!”

 

Davi falou sobre o destino de sua alma na morte. E aqui eu abro um parêntesis para nos lembrarmos do pensamento bíblico sobre a alma. O que acontece com a alma de um homem justo quando ele morre? Para onde ela vai? "Bem", dirão muitos "o corpo morre e é sepultado e a alma vai diretamente para o Céu!" Mas isso não foi o que disse o salmista. O que ele disse? Pergunte a Davi: Para onde vai a sua alma na morte? Resposta surpreendente: "Na morte, a minha alma vai para a cova, para a sepultura, mas Deus me livrou disso", reconheceu ele.

Observe bem o v. 3: "Da cova fizeste subir" o corpo? Não, "a minha alma". Se Davi tivesse morrido, naquela circunstância, sua alma iria descer à sepultura, não subir para o Céu. Mesmo “porque Davi não subiu aos céus” (At 2: 34). A alma é mortal e o seu destino final é a sepultura. Disse outro salmo: “Que homem há, que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro?” (Sl 89:48). Ainda antes de Davi, lemos no livro do patriarca Jó: “Deus redimiu a minha alma de ir para a cova” (Jó 33:28). Este era o mesmo reconhecimento de Davi.

Mas o que significa a alma? Alma é o ser completo do homem; é o próprio homem, com todas as suas faculdades, físicas, mentais e espirituais. Quando ele está vivo, é alma vivente; quando ele está morto, a Bíblia o chama de alma morta, ou cadáver. É por isso que a Bíblia diz que a alma vai para a sepultura quando o homem morre, tanto faz ser justo ou ímpio. Mas um dia todos ressuscitarão do pó: “tendo esperança em Deus, [...] de que haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos.” (At 24:15).

II - O Apelo de Davi (v. 4-5)

Depois de sua promessa de exaltar a Deus, Davi faz um apelo a todos os filhos de Deus (v. 4): “Salmodiai ao Senhor, vós que sois seus santos, e dai graças ao seu santo nome.”

1- “Salmodiai ao Senhor!” Isto quer dizer: Cantai louvores ao Senhor. Entoai-Lhe salmos para exaltar a Deus.

2- “Dai graças ao Seu santo nome!” O nome de Deus é santo e devemos dar graças ao nome de Deus. Temos visto muitas pessoas que ao invés de dar graças ao nome de Deus estão tomando o Seu santo nome em vão! Isto é uma transgressão flagrante do terceiro mandamento que diz claramente: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o Seu nome em vão!" (Êx 20:7).

Por que Davi apela para exaltarmos o nome de Deus? Ele dá duas fortes razões para isso: v. 5: "Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira."

1- A ira de Deus é momentânea, passa logo.

Um dos assuntos mais terríveis que temos de tratar quando estudamos a Bíblia é sobre a ira de Deus. Por isso, ele é um assunto muito negligenciado pelos pregadores. Eu já ouvi muitas pregações sobre dar glória a Deus, mas nunca ouvi uma só referência à ira de Deus. Quando comparamos a ira divina com a ira humana, somos levados a pensar que Deus não tem esse tipo de sentimento. Mas a ira divina significa uma expressão de Sua justiça, e não um mero sentimento. Entretanto, a grande notícia sobre este aspecto do caráter de Deus é que a Sua ira é momentânea, passageira, e logo se aplaca. Graças a Deus por esse fato.

2- A graça de Deus é duradoura, por toda a vida.

Ela dura a vida inteira, ou enquanto nós vivermos. A graça de Deus é o poder que nos salva. Aqui está outro grande motivo para nós darmos graças e louvor a Deus. Vivemos em um mundo de pecado e temos de passar muitas vezes pelo choro e pela angústia, e às vezes passamos por situações desesperadoras. Mas a alegria virá pela manhã. A alegria também faz parte da vida crista. Se o choro vem pela noite, a alegria vem pela manhã. Se a ira de Deus se revela de noite, a Sua graça logo se manifesta pela manhã, quando podemos presenciar o sol brilhando para transmitir a sua alegria.

III - O Testemunho de Davi (V. 6-10)

Davi fala de sua experiência dramática que ele teve sobre a ira de Deus.

1 - Ele revelou a sua auto-confiança: v. 6: "Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado." É perigosa esta atitude, quando a confiança não está baseada em Deus e sim na suas posses materiais. Ele falava confiado em sua prosperidade. Há tantas pessoas hoje em dia, mesmo entre os cristãos, que confiam na suas posses materiais, fazendo delas o seu deus, confiando nelas, e pensando que a sua segurança está na sua prosperidade. Cedo ou tarde serão amargamente decepcionados, porque hoje podemos ser ricos; amanhã podemos perder tudo o que temos.

O resultado de confiar em si mesmo por causa das riquezas é uma queda e diminuição do fervor espiritual. À semelhança de Nabucodonozor, olhamos para as belas coisas que fizemos, contemplamos as nossas casas, o nosso carro de luxo, vislumbramos as muitas terras que temos, e dizemos: “Mas como eu sou bom e poderoso! Quem é que fez tudo isso, quem conquistou todas essas maravilhas senão eu mesmo com toda a minha inteligência?” Uma pessoa que age assim pensa que jamais será abalada, mas isso é muito enganador; é uma falsa segurança. Ela se esquece de que é Deus quem nos dá forças e poder para adquirir riquezas (Dt 8:18). Portanto, “se as vossas riquezas prosperam, não ponhais nelas o coração.” (Sl 62:10).

2- Davi se apressou logo a confessar a Deus que a Fonte de sua prosperidade estava no Seu favor, ou em Sua graça (v.7:) “Tu, Senhor, por Teu favor fizeste permanecer forte a minha montanha.” Deus nos dá o Seu favor, que é graça imerecida, porque nós não a merecemos. Deus é a fonte de nossas montanhas de bênçãos recebidas de Suas dadivosas mãos. Deus é a Fonte de nossa prosperidade. Jamais deveríamos confiar em nós mesmos se Deus nos prospera o caminho. A todo o momento devemos exaltar a Deus por Suas bênçãos.

3- Mas Deus volta o Seu rosto por alguma razão (v. 7, 2ª parte:) “Apenas voltaste o rosto, fiquei logo conturbado.” Davi sentiu que Deus estava desgostoso por alguma coisa que ele tinha feito. Muitas vezes isto acontece conosco e nem estamos nos apercebendo. Muitas vezes Deus retém as Suas bênçãos e nós ficamos conturbados, como aconteceu com Davi. Mas isto Ele faz para nos provar e nos fazer mais espertos, quanto à nossa vida espiritual. Muitas vezes estamos olhando para os nossos talentos, ou para a nossa vida feliz, para a nossa aquisição de conhecimentos que parece superior a dos nossos semelhantes, ou estamos confiando em nossa conta bancária. E então acontece uma perda, e ficamos desapontados. Por que isso aconteceu comigo? Por que foi que Deus fez isso comigo? Pode ser que isso veio para nos dar uma lição por estarmos confiantes demais em nós mesmos.

4- No v. 8, Davi testifica que clamou a Deus. “Por ti, Senhor, clamei; ao Senhor implorei.” Isto significa que ele fez uma oração com muita energia, muita vida e muita confiança. Ele ainda acrescenta que implorou a Deus. Com efeito, a sua oração foi muito angustiante, a sua prece foi deveras perseverante. Muitas vezes, a nossa oração não passa de mera repetição de frases decoradas, frias e sem sentimento. Necessitamos de mais fervor, mais entusiasmo, mais clamor. Precisamos clamar e implorar a Deus que nos atenda. Temos de orar com a mente e com o coração. Temos de revelar a sinceridade de nosso propósito em nos dirigir a Deus como um Pai amorável que está atento às nossas necessidades.

5- Davi argumenta com Deus: v. 9: "Que proveito obterás no meu sangue, quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? Declarará ele a tua verdade?" “Senhor, qual seria a vantagem de meu sangue derramado?” Ele continua a argumentar: “Qual seria o louvor que Te daria o pó?” Ou seja: se ele morresse, não poderia mais louvar a Deus, e nem declarar a Sua verdade. É assim que devemos falar com Deus: Temos que apresentar as nossas razões e argumentar com Ele.

Foi Ele mesmo que nos disse para fazermos isso: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.” (Is 1:18). “Vinde e arrazoemos”. Temos que apresentar a Deus as nossas razões. Podemos argumentar com Deus. Mas não se esqueça de apresentar os mais poderosos argumentos, que você encontra na Palavra de Deus. Por exemplo: “Senhor, eu pequei, mas Cristo derramou o Seu sangue para me purificar! Portanto, lembra-Te de mim, e perdoa-me!”

Mas Davi, em sua argumentação, tem mais um aspecto polêmico. Há uma doutrina muito disseminada entre os cristãos, que não é defendida pela Bíblia: Eles dizem que na sua morte irão para o Céu a fim de louvar a Deus. Mas o que disse o salmista? “Se o meu sangue for derramado, se eu for para a sepultura, se eu voltar ao pó, não poderei louvar a Deus e nem pregar a Sua verdade.” O mesmo Davi já havia testificado disso em outro salmo: “Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro, quem te dará louvor?” (Sl 6:5).

Mas alguém disse que Davi se referia ao seu corpo: “Ele quer dizer que o seu corpo morto não pode louvar a Deus!” Mas esta é apenas uma defesa do preconceito, não a sinceridade do pesquisador atento e honesto. Entretanto, para que ninguém dissesse que ele se referia ao seu corpo, Davi esclarece mais tarde, dizendo: “Os mortos não louvam o Senhor.” (Sl 115:17). Ele não está falando dos corpos dos mortos, mas fala dos próprios mortos, e isso inclui a sua pessoa com todas as suas faculdades físicas, mentais e morais.

Ou seja, os mortos justos não sobem ao Céu para louvar a Deus, mas esperam na sepultura pelo dia quando o Filho do Homem, Jesus Cristo, dirá: “Despertai e exultai, os que habitais no pó!” (Is 26:19; Jo 5:28-29). Então sim, poderão os justos louvar e de fato dirão todos os justos ressurretos: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos.” (Is 25:9). Com efeito, disse Cristo: “a tua recompensa, [...] tu a receberás na ressurreição dos justos”, não na morte (Lc 14:14). Este é um argumento incontestável contra a falsa doutrina da imortalidade da alma.

6- Davi pede a compaixão e o auxílio divinos (v.10): “Ouve, Senhor, e tem compaixão de mim; sê tu, Senhor, o meu auxílio.” Também nós precisamos destas duas coisas, a saber: precisamos da compaixão, porque somos pecadores e compaixão é para pecadores; e também precisamos de auxílio a fim de termos forças adicionais para enfrentarmos as nossas lutas da vida diária, e sairmos vitoriosos contra as legiões do mal que se arregimentam contra a nossa fraqueza. Mas pela compaixão de Deus e pelo Seu auxílio, certamente poderemos ser mais do que vencedores por Jesus Cristo, que nos amou e deu a Sua vida por nós.

IV – A Resposta de Deus (v. 11-12)

Como Deus Atendeu ao Clamor de Davi? Como Deus respondeu à oração do Seu servo? É o próprio Davi quem fala de Deus para Deus (v. 11-12:) “Converteste o meu pranto em folguedos; tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria, para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. Senhor, Deus meu, graças te darei para sempre.”

1- Deus lhe devolveu a alegria e extinguiu o seu pranto (v. 11). O choro pode vir pela noite de amargura, tristeza e angústia, mas a alegria vem pela manhã da paz, prosperidade e segurança (v. 5). Portanto, o cristão possui muitas razões para ser alegre, porque tem o fruto do Espírito Santo (Gl 5:22). Ele nos cinge de alegria. Ele nos enche a boca de risos. A nossa alma vive em festa, porque contempla as maravilhas da salvação operada na Cruz do Calvário, por nosso Senhor Jesus Cristo.

2- Com que objetivo? "Para que o meu espírito Te cante louvores" O que significa "espírito"? Falamos sobre o corpo (v. 2), falamos sobre a alma (v. 3). Mas o que significa o espírito? (v. 12). Com o corpo, nos comunicamos com o mundo exterior; com a alma, nos comunicamos conosco mesmos, internamente; com o espírito, nos comunicamos com Deus.

O nosso espírito é a faculdade com a qual nos relacionamos com as coisas do Espírito Santo. Espírito no homem é a faculdade para nos comunicarmos com Deus. É somente através do nosso espírito que podemos ter acesso mental ao nosso Deus. Através do espírito humano nós louvamos e reconhecemos a Deus. E Lhe damos graças. Por isso, disse o apóstolo Paulo: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (2Ts 5:23).

Conclusão (v. 12b)

Qual é a última promessa de Davi nesta parte final? "SENHOR, Deus meu, graças Te darei para sempre!" Ele começou com uma promessa e termina com uma promessa. Esta simples oração tem uma riqueza de verdades:

1- "SENHOR" significa "Eterno", porque no original é Yahweh, ou Jeová. Ele está orando ao Deus Eterno.

2- "Deus meu" indica o estreito relacionamento de Davi com Deus. Cristo também usou esta expressão quando Ele estava morrendo numa Cruz infamante, pagando pelos pecados de uma raça ingrata, quando falou: "Deus meu, Deus Meu, por que Me abandonaste?!" Cristo foi o único a ser abandonado por Deus porque este era o Seu plano de salvação de todos nós, outrora perdidos pecadores. Mas Deus não abandona a ninguém que tem a Deus como o seu Deus particular e íntimo. Cristo foi abandonado para que nós nunca fôssemos abandonados. Davi nunca foi abandonado por Deus apesar de seus pecados. Você jamais será abandonado por Deus se tiver um estreito relacionamento com Ele, a ponto de poder clamar e dizer-Lhe frequentemente? “Deus meu, Deus meu...”

3- "Graças Te darei para sempre" é a promessa mais confiante, porque promete Davi não somente que Lhe dará graças, mas que fará isso "para sempre". Bem, se Davi ora, clama e fala a um Deus eterno, que é o seu Deus, ele está confiante que Deus lhe dará a vida eterna, porque só assim ele poderia dar graças para sempre ou eternamente. Portanto, quando nós prometemos a Deus que lhe daremos graças, vamos acrescentar que isso será para sempre, confiados na vida eterna que Ele nos dará, e concederá a tantos quantos lhe prometerem que Lhe darão graças para sempre.

Quais são os seus motivos para dar graças a Deus? Certa vez perguntaram a um velhinho se estava passando bem. Ele respondeu: “Eu dou graças a Deus porque, embora eu tenha algumas dores reumáticas, eu estou bem. Eu não tenho mais visão para ler, mas eu estou bem. Eu só tenho dois dentes, mas Deus me ajudou de tal modo que um dente está colocado bem em cima do outro de modo que me permite mastigar os alimentos. Eu dou graças a Deus, porque estou muito bem”.

Você tem motivos para dar graças a Deus? Então faça isso, e prometa ao Senhor, que Lhe dará graças para sempre, e confie na Sua promessa de vida eterna.

Pr. Roberto Biagini

Mestrado em Teologia

prbiagini@gmail.com